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6.3.25

Li e recomendo: "Adriano - Meu medo maior"

 Biografia do ex-jogador de futebol Adriano "Imperador", em coautoria com o jornalista Ulisses Neto, publicado pela Editora Planeta.


São 500 páginas que fluem rapidamente porque é como se você se sentasse entre os amigos de Adriano, numa conversa bem informal, e ele fosse contando as etapas mais importantes da sua vida, especialmente da carreira futebolística.

Ulisses não apenas captou essas fases sob a ótica do biografado, mas narrou "como se entrasse na alma de Adriano". Tanto que, ao submeter o texto final ao crivo do protagonista, nada foi alterado, suprimido, trocado.

Tive o privilégio de conhecer Ulisses no evento de lançamento do livro aqui em SP, na Av. Paulista, com sessão de autógrafos de Adriano, em novembro passado. Por intermédio do amigo Thybor, que foi colega de trabalho de Ulisses e me passou seu contato para que, após minha leitura, meses depois, eu pudesse parabenizar seu autor e tirar algumas curiosidades sobre o processo de produção do livro, afinal sou um jornalista fã de biografias e interessado no labor do biógrafo.

Ulisses me contou que precisou usar diferentes técnicas de captação de dados para conseguir se adaptar ao ritmo do seu biografado, pouco afeito a entrevistas formais. Além de ter complementado as entrevistas com ele com entrevistas a familiares e amigos próximos, o jornalista conseguiu passar muito tempo com o Adriano seguindo a rotina dele, convívio fundamental para a extração da persona. Com o desafio de não gravar nem anotar na hora essas interações informais, para não afetar a espontaneidade de cada momento, recorrendo à memória quando acabava cada encontro e buscava registrar o máximo que se lembrava.

Um desafio que Ulisses cumpriu com maestria, revelando o lado humano do ídolo, esportista, nascido na favela e tornado milionário precocemente, um homem afetado ainda jovem por dramas familiares e pessoais, vitórias e derrotas midiáticas. Leitura recomendadíssima, ainda mais se você também curte futebol como eu.   


5.1.21

Sobre as origens das palavras

Descobri esse banco etimológico hoje: Origem Da Palavra | Site de Etimologia  

Muito bom pra quem busca conteúdo para um canal como o Nossa Língua Brasileira.

20.10.16

Reflexões poéticas

As últimas duas postagens no meu perfil do Medium, a rede social do textão, são poemas com base em situações cotidianas, pinta lá se tiver interesse, curiosidade (ou mesmo piedade):

-> uma letra de rap, chamada Guria do Busão;

-> uma pensata sobre o que cerca o morar sozinho, em SoLidão: Lidando e Lucrando.

Comentários, desde que respeitosos, são sempre bem-vindos.

25.8.16

Li e recomendo: O Jornalista mais Premiado do Brasil

O livro e o autor, em um dos seus vários lançamentos

"O Jornalista mais Premiado do Brasil: a vida e as histórias do repórter José Hamilton Ribeiro"

O título completo de mais essa obra do amigo Arnon Gomes já explica o tema. Jornalista escrevendo sobre jornalista, já bastaria isso para eu me interessar. E conhecendo ambos, mais ainda. Zé Hamilton é uma verdadeira escola para todos nós seguidores. Arnon, um profissional talentoso e dedicado, que se esmera no que faz desde as primeiras matérias no jornal Comércio da Franca, quando a profissão em comum nos permitiu um auspicioso reencontro, em 2005, anos e anos após a infância comum em Santos.

O livro de 260 páginas, publicada ano passado em Araçatuba, onde Arnon vive e trabalha há alguns anos, teve lançamentos aqui em SP, bem como Santos, Campinas e terá em Ribeirão Preto. Ainda não consegui comparecer a nenhuma, mas ajudei o amigo no envio da remessa paulistana excedente pra ele e acabei ganhando um exemplar, lido com calma e muito gosto. Falta a dedicatória agora!

Lembrando que um dos livros anteriores de Arnon eu indiquei neste blog, em 2012 (leia aqui). Vida longa ao escritor Arnon, ao mestre Zé e ao bom e verdadeiro jornalismo!

5.7.16

Hits das Antigas: Sambas-enredos sobre a abolição da escravatura

Os samba-enredos das escolas campeãs dos carnavais cariocas de 1988 e 1989 - Vila Isabel e Imperatriz Leopoldinense, respectivamente - versaram sobre o centenário da abolição da escravatura no Brasil (1888). E foram dois primores em letra e música!

Sempre gostei de sambas carnavalescos e esses estão entre meus favoritos! "Kizomba, a Festa da Raça" ganha em beleza e poesia, enquanto que "Liberdade, Liberdade! Abra as asas sobre nós" embala pelo refrão contagiante. O primeiro é de Rodolpho, Jonas e Luis Carlos da Vila, também interpretado por Martinho da Vila. O segundo, da Imperatriz, composto por Niltinho Tristeza, Preto Jóia (intérprete principal), Vicentinho e Jurandir.

Bora cantar e sambar!



KIZOMBA A FESTA DA RAÇA

Valeu Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a Abolição

Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e Maracatu

Vem, menininha, pra dançar o Caxambu (bis)

Ô ô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô Clementina
O pagode é o partido popular

Sarcedote ergue a taça
Convocando toda a massa
Nesse evento que com graça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção

Esta Kizomba é nossa constituição

Que magia
Reza ageum e Orixá
Tem a força da Cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais

Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua





LIBERDADE, LIBERDADE! ABRA AS ASAS SOBRE NÓS

Vem, vem, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria, mãe querida
O império decadente, muito rico, incoerente
Era fidalguia
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí

Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu de cultura o Brasil
A música encanta e o povo canta assim
Pra Isabel, a heroína
Que assinou a lei divina
Negro, dançou, comemorou o fim da sina
Na noite quinze reluzente
Com a bravura, finalmente
O marechal que proclamou
Foi presidente

Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós (bis)
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz

Para reviver outros Hits das Antigas postados aqui, clique neste link!

30.5.16

Li e recomendo: RAAM, Mr. Milan

RAAM é a abreviação para Race Across America. Uma prova de maratona ciclística, cruzando os Estados Unidos por dias e dias, anualmente desde 1982. Em 2014, teve 3.020 milhas (4.859 km) de extensão, da costa oeste (Oceanside, sul da Califórnia) à leste (Annapolis, vizinha de Washington, D.C.), no mês de junho.

É a 10a vez em que o empresário brasileiro Marcio Milan a encarou, desta vez numa equipe com mais três integrantes, dois brasileiros e um português. Isso sem contar uma equipe de apoio que auxiliou o revezamento dos ciclistas durante todo o percurso, em vans adaptadas e preparadas para uma jornada de mais de uma semana.

Desta vez, o staff teve um jornalista e um fotógrafo registrando essa aventura. Que virou o livro que pude adquirir com o autógrafo do jornalista, meu ex-colega de pós-graduação Wagner Hilário, do fotógrafo, meu colega de trabalhos recentes Luiz Machado, e do protagonista da história, Mr. Milan, em evento no ano passado, registrado no meu Instagram.

Um livro-reportagem-viagem, fazendo jus ao Jornalismo Literário que Wagner e eu aprendemos na especialização em 2006-07. Recheado, detalhista, contextual, informativo-analítico-opinativo-emocional na medida certa. As descrições do andamento da competição são postas adequadamente em segundo plano, com relações e comportamentos entre as pessoas da equipe predominando, num constante tom de humanização. Ou seja, adorei! Inclusive porque o pano de fundo é uma prova esportiva, em que a superação depende de muito esforço, disciplina e um algo a mais que só grandes atletas e equipes conseguem colocar em prática para atingir seus objetivos - mote que muito me cativa também.

A trajetória do time Vencendo Desafios na RAAM 2014 foi marcada por percalços, surpresas e até decepções, porém fizeram muito bonito. E foi saboroso ler essa experiência sob a lente de Wagner, tanto que li uma segunda vez, até para pontuar uns toques de revisão que passei pro colega. As imagens de Luiz também são belas. E a dedicação de Marcio Milan, um senhor superatleta de 65 anos de idade (na época da competição), admirável. Enfim, vale muito pedalar nessa leitura!

Para quem quer saber mais, o livro tem página no Facebook (clique aqui), onde estão repercussões interessantes, como essa vídeo-resenha, por exemplo.

25.3.16

Quando a diarista ganha ponto

Bilhete deixado por ela depois da última faxina:

"Oi Bruno, peguei um livro seu pra ler, me desculpe, é que gosto muito de ler, sempre fiquei com vontade de ler este livro,  quando ele ficava no móvel do seu quarto - acho que você estava lendo. Hoje limpando sua escrivaninha vi ele, me desculpe mais uma vez, sei da tentação. Assim que terminar te devolvo.
Obrigada.
Obs: O livro é Crime e Castigo"

(A propósito, esta obra-prima de Fiódor Dostoiévski foi postada aqui na seção Li e Recomendo, confira).

28.12.15

Li e recomendo: Vida de escritor, Gay Talese



Quem conhece minhas preferências dentro do jornalismo e algumas das principais referências de bom jornalismo não se surpreenderá com essa indicação. Um dos mestres do jornalismo literário (JL), o estadunidense de ascendência italiana Gay Talese manda bem até quando relata histórias e reportagens que não renderam o esperado, não se transformaram nos livros que ele esperava e deixaram lacunas impreenchíveis.

É que o escritor de não-ficção se preocupa tanto com a reconstituição e contextualização dos cenários e circunstâncias em torno de suas tramas, e sobretudo personagens (porque JL só existe com a humanização em primeiro plano), que mesmo narrativas consideradas inconclusivas nos cativam, agarram, conduzem nossa curiosidade e sede de leitura por páginas a fio. E são mais de 500 em Vida de Escritor  (A writer's life), sedutor também para nós, jornalistas, porque mostra as agruras, anseios, conquistas e fracassos (vários, aliás) do jornalista enquanto pensa, planeja, desenvolve e se movimenta atrás dos seus personagens e narrativas.

Amante do futebol e interessado na perspectiva de quem sai derrotado de uma competição, evidentemente que a história do livro que mais me interessou foi da chinesa futebolista, que aliás abre e encerra a obra. Por conta disso, me impacientou, em alguns momentos, as voltas e fugas de Talese para tratar de outras temas, demorando a retomar o assunto de sua busca por Liu Ying. Mas se ele foi fiel ao labirinto que é o percurso mental de um jornalista de criatividade efervescente, angustiado por nem sempre conseguir chegar às respostas que investiga, e com seus próprios dilemas e indecisões, quem sou eu para criticá-lo negativamente. A vida de escritor soa esse emaranhado complexo mesmo. Se você também a admira e gostaria de tê-la para sua carreira, como eu, boa viagem nessa leitura!

24.12.15

Perdi um concurso, ganhei um conto

Meses atrás fiquei sabendo do concurso Brasil em Prosa, o primeiro da Amazon para autores independentes do país, feito por meio do KDP (Kindle Direct Publishing).

Aproveitei para praticar uma modalidade textual com a qual não estou muito acostumado, o conto. Exercitei a ficção a partir de uma história fantástica que já me visitava há algum tempo. Um tema familiar, bem caro ao autor: futebol. E assim nasceu "A Copa que Sonhei".

Mais de 3.700 textos, originários de mais de 500 cidades brasileiras, concorreram com o meu. Evidentemente, não fiquei entre os 20 finalistas - era um sonho mais alto do que a Copa que sonhei (veja aqui quem subiu ao pódio)...

Porém, ganhei uma história que me deixou muito satisfeito, propícia para iniciar minhas publicações no Medium, rede social adequada para textos grandes, com fotos, vídeos, citações, sem limite de caracteres e espaço, ao contrário da maioria dos espaços consagrados da Internet, felizmente!

Espie lá, pra ver o conto e as fotos pessoais (e reais!) que o ilustram: A Copa que Sonhei.

15.12.15

Túnel do tempo: Com os Anjos de Prata em livro

No dia 3 de dezembro último, passei em frente à Pizzaria Ráscal, na esquina da Alameda Santos com a Joaquim Eugênio. Não foi premeditado, mas totalmente circunstancial - não é meu caminho cotidiano nem entrei no local para o que quer que fosse.

Me lembrei então da única vez em que estive lá, no jantar de lançamento da única coletânea dos Anjos de Prata de que participei. Inspirados pelo escritor Mário Prata, os Anjos eram um grupo de escritores amadores que abasteciam um site com textos que sempre tinham de se relacionar com um tema comum a todos. Um desafio muito saboroso!

E qual foi a data daquele dia especial, quando achei o máximo encontrar cubos de gelo pra regar no mictório do banheiro da pizzaria? Também um 3 de dezembro! De 2005, antes de eu virar paulistano.

Abaixo a única foto que guardo da ocasião, com o capitão do grupo, Beto Muniz, e Mariazinha Cremasco, que também entrou pra coletânea.

Foto da foto: Beto Muniz, Mariazinha Cremasco e eu, em 03/12/05
Há 10 anos, direto do túnel do tempo!

11.11.15

Pesquisa da dissertação rende artigo em livro





Minha orientadora do mestrado na Universidade Metodista de São Paulo, Dra. Cicília Peruzzo, organizou uma coletânea de artigos sobre pesquisas que orientou durante 10 anos de COMUNI (Núcleo de Estudos de Comunicação Comunitária e Local). Lançada recentemente, chama-se "Comunicação Popular, Comunitária e Alternativa no Brasil - Sinais de Resistência e de Construção da Cidadania".

Minha pesquisa da dissertação, intitulada "Jornalismo Literário a serviço da Imprensa Alternativa", compõe a obra, de 736 páginas (conforme destaque no print abaixo). Editado pela Metodista, o livro foi coorganizado por Maria Alice Campagnoli Otre, outra orientanda de Cicília e hoje também doutora.



Não é o primeiro livro de coletânea do qual participo. Após minha outra pós, a especialização em Jornalismo Literário, tive uma grande-reportagem publicada em "Jornalistas Literários: Narrativas da vida real por novos autores brasileiros" (leia clicando aqui), da Editora Summus, de 2007.

E por fim, foram três incursões literárias que também me puseram em coletâneas: um dos "Contos de Caminhoneiros" (Mercedes-Benz, 2008), um dos "Contos Natalinos" (Atlas, 2006) e um texto na "Sexta Antologia dos Anjos de Prata" (Linear B, 2005).

É sempre um prazer! Quem me dera poder viver como escritor...

3.2.15

Li e recomendo: Crime e Castigo

Pra quem conhece o básico de literatura, pode parecer chover no molhado eu vir aqui recomendar esse clássico de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Afinal, o livro é tido como um dos maiores da história da literatura UNIVERSAL.

Mas depois de ler, é outra coisa, por mais referência ao escritor russo que a gente veja por aí.

Crime e Castigo deve ser a obra mais famosa de Fiódor no Brasil, ou talvez uma das duas mais populares, ao lado de Os Irmãos Karamázov (que pretendo ler também). E realmente impacta.

A densa trama psicológica do protagonista te enreda de uma maneira que vc passa a viajar junto com Ródia nos seus devaneios, seu vai-não vai, sua perambulação sem rotina, sem norte, sem saber quando é a hora de confessar totalmente seu crime, mesmo que não o considere um crime.

De repente mergulhamos na marginalidade da São Petersburgo de meados do século 19 e rodamos sem parar com Raskolnikov, conduzidos pela genialidade do autor. Se deixe levar: a experiência é bem demorada, porém profícua.

17.4.14

Gabo morreu :(

Triste, embora não surpreendente o falecimento do escritor colombiano Gabriel García Márquez hoje. Aos 87 anos, estava bastante doente.

Me lembrei do post que fiz sobre Cem Anos de Solidão ano passado. Muito bom de se ler, assim como Crônica de uma Morte Anunciada.

É outro daqueles cujo legado dificilmente morrerá!

12.3.14

Tentei o CLIPE, mas não rolou

Procurando cursos e outras atividades para aperfeiçoar os currículos (acadêmico e profissional) e a formação, viáveis no meu tempo livre, me inscrevi para tentar cursar a segunda edição do CLIPE - Curso Livre de Preparação do Escritor, oferecido gratuitamente pela Casa das Rosas, aquela da Av. Paulista, por meio do CAE - Centro de Apoio ao Escritor.

Os módulos são às quintas de noite e sábados de manhã, se não me engano de março a maio. Mas, como ano passado, a procura superou em muito o número de vagas disponíveis. Foram eu e mais 487 inscritos, para 30 vagas e 10 na lista de espera. Não deu :(

Ser escritor é uma possibilidade que alimento desde a infância. O ideal seria viver disso, mas se ao menos conseguisse conciliar essa atividade com um trabalho como fonte de renda "principal", já estaria satisfeito. Sinto que tenho muito gosto e alguma aptidão, porém escrever "com intenção literária" tem sido uma tarefa mais do que secundária ultimamente (a maioria dos meus textos ficaram entre meus 16 e 26 anos - em maio vou pra 32), então não desenvolvi nenhum projeto literário autoral, o que provavelmente pesou na seleção para o CLIPE deste ano.

De qualquer forma, vou tentar não desistir e, pra vc que compartilha do mesmo gosto e aptidão, #ficaadica!

18.10.13

Li e recomendo - Cem Anos de Solidão

Um dos principais filhos do escritor e jornalista colombiano Gabriel Garcia Marquez, Prêmio Nobel de Literatura em 1982 e atualmente com 86 anos. Há quem diga que é sua obra definitiva, que criou uma geração de leitores, que fundou o realismo mágico e que figuraria até entre as duas maiores obras da literatura hispânica, atrás apenas de Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes.

A viagem pela fantástica cidade de Macondo, destrinchando a saga da família Buendía em sua desgraça cômica, é recheada de episódios saborosos e descrições riquíssimas conduzidos pelo texto primoroso do autor.

O livro de Gabo da coleção Biblioteca Folha (a primeira edição foi publicada em 1967) já não me acompanha mais na mochila na volta do trabalho pra casa, e devo admitir, escrevendo dentro do busão, que a saudade do seu realismo mágico é grande - acho que em determinado momento da leitura diminuí seu ritmo para a narrativa não acabar tão cedo...

4.10.13

Vídeo: Mesa redonda "140 caracteres ou 410 páginas"

Muito interessante a discussão propiciada pelo debate a que podemos assistir na gravação abaixo, de pouco mais de 1h20. Em pauta, a literatura, as redes sociais e o futuro da leitura e da escrita (super me interesso!)

O encontro ocorreu durante o evento Social Media Week, que rolou semana passada em Sampa. Os debatedores foram :

José Luís Goldfarb, coordenador do Núcleo #REDEMIS do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS), propositor da mesa;

Marcia Tiburi, professora de Filosofia da Universidade Mackenzie, que conheci no campus Higienópolis e a quem sigo no Twitter (tem lúcidas reflexões);

Clara Averbuck, blogueira da revista Carta Capital;

Mona Dorf, jornalista da Claque Editora.

Aproveite no player abaixo:



26.7.13

Uma vez escrevi... sobre o Dia do Escritor

Ilustres, de vez em quando resgatarei textos produzidos há alguns anos (ou muitos... #ficandovelho), que ainda não publiquei (ou não me lembro, ou não tenho mais acesso), pois se conectam com assuntos que voltam a me ocorrer na cachola e também para arquivá-los com mais agilidade e segurança (tenho um arquivo de Word recheado de escritos, mas pen-drives, CDs e computadores estão mais suscetíveis a problemas que possam me levar a perder esses dados do que a imensa biblioteca da Web da qual este modesto bológue faz parte).

O primeiro dessa série "Uma vez escrevi" completou 10 anos ontem, no Dia do Escritor, e não apenas pela efeméride consagrada do número redondo, mas pela manutenção do meu pensamento sobre a questão, achei válido praticar a emersão abaixo. Vejam o que o então estudante de Jornalismo escreveu em uma mensagem de e-mail (a não lembro quem...) na época:

Por que parar na leitura? (2003)

            25 de julho, dia do escritor. Logo cedo, alguém na TV cita a data e aconselha milhões de  brasileiros insistentemente: "leiam, não percam esse gosto e esse costume, não deixem os livros encostados na estante!". Ótimo, a leitura é o nosso pão da vida e criar bibliotecas em casa somente para a visita da poeira não tem muita utilidade mesmo. 

Muito propício o incentivo à leitura voltado ao reconhecimento do escritor. Ampliando o raciocínio, porém, pintou um cutucão: todos nós devemos ler assiduamente, pois temos grandes nomes cujas obras se constituem em legados riquíssimos a nossa formação, correto? Então, essa classe dotada de um privilégio intelectual restrito a poucos merece mais respeito: são Escritores, melhor dizendo. Nada contra, já que  devemos muito a eles. A pergunta está do lado de cá. A nós, meros mortais, caberia apenas consumir o legado que vem "de cima"?  O que fazer com o legado diário que acumulamos em preciosos minutos de leitura? Se há "Escritores", assim tratados por viverem das palavras, não podem existir "escritores", pessoas comuns colhendo os frutos de sua condição de leitores?

            A transposição do ler ao escrever, penso, está mais para o atravessar uma rua de mão única do que o ir de Santos a Guarujá numa manhã de fim de semana de verão. Depende mais de quem empunha uma caneta ou se debruça num teclado; os conhecimentos são mais básicos do que muito se pensa. Lamento que se ache que é preciso diploma superior ou se considere atividade exclusiva às ciências humanas e aos comunicadores. Muitos dos "Escritores" nem ensino médio tiveram. Alguém pode pensar: ah, mas eles são (ou foram) "Eles", né... Superando mais um exemplo dessa teimosia nacional que é a auto-subjugação, veremos que a simples alfabetização, tão em voga no país que cada vez mais leva crianças às escolas, pode ser nosso ponto de partida. A partir do cotidiano, podemos ir além do que habitualmente se faz na escola e compõe o contato interpessoal via correio ou internet, por exemplo. Resta agora descobrirmos o que ganhamos com isso.

Vamos dar uma chegadinha até a Europa da Idade Média pré-capitalista, que já via projetos de cidades em muitas feiras livres. Se você planta apenas verduras, como obtém grãos, cereais e outros alimentos? Vai à feira e troca seu excedente pelo do vizinho que planta aquilo de que você precisa; assim ocorreu até que  alguém tivesse a idéia (não tão feliz, creio) de estabelecer um valor de troca para as coisas, que aí se desvinculou do valor de uso, e hoje vivemos com o dinheiro e o capitalismo, mas meu ponto central ficou lá trás. Voltemos ao tema tentando visualizar os benefícios da troca para os nela envolvidos: percebemos que todos ganham ao produzir algo que vai ser aproveitado pelos demais graças à existência da troca em si.

O ato de escrever - com letra minúscula (porque me refiro a nós), além de nos propiciar um conhecimento partilhado sem que tenhamos de comprar livros, não se restringe ao "toma lá = dá cá", nem pára na bondade cristã de contribuir de alguma forma com o enriquecimento do próximo. Quando escrevemos, aperfeiçoamos nossas reflexões de tal modo que nos conhecemos melhor, aprendendo algo novo a cada busca de palavras na seqüência do texto. O prazer e as descobertas se assemelham ao que a leitura proporciona, afinal a escrita assenta-se sobre a materialização de várias coisas que você já leu algum dia, se entendermos tudo que vivenciamos como componentes de nossa leitura do mundo.

O maior estímulo está dado: começar a escrever espontaneamente tende a se converter numa viagem tão saborosa quanto embarcar no universo da leitura. Atualmente, é muito fácil dar asas à escrita: esse e-mail já mostra um pouco do que a internet pode nos proporcionar. Entretanto, somente a disposição de cada um pode fazer nossa cultura avançar nesse âmbito. É batido afirmar novamente que temos de ter a iniciativa, mas, se servir de constatação, um estudante de jornalismo pode vos assegurar: raramente ele ouviu de alguém desde o ginásio até a faculdade que, não bastando a leitura, precisava escrever. Hoje, não se arrepende por ter ido além.

21.3.13

Li e recomendo - Canções para ninar adultos

Fui ao lançamento deste, ano passado! E não somente pelo exemplar autografado, mas principalmente pela leitura de cabo a rabo, fiquei muito feliz com o talento literário do meu bixo de Unesp-Bauru, Fred di Giácomo!

Se quiser ver outras notícias e referências sobre o livro, compiladas pelo autor, acesse o blog da obra.

Se quiser saber mais sobre autor, obra e como adquiri-la, acesse o site da Editora Patuá.



15.1.13

Lixo de (So) Ci (e) dade

Difícil ver cena mais desumana do que um ser humano catando restos no lixo para levá-los a boca instantes depois (não me refiro a quem revira o lixo atrás de metais e papelões para vender, é diferente).

Lixo faz mal à saúde, inda mais de quem mal a tem, lixo nos enoja. SP quase todo dia me enoja exibindo desumanidade, sendo um lixo de cidade.

Partilho da trágica constatação de Manuel Bandeira no poema "O bicho", publicado em 1948 (!):

“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem”.

15.10.12

Li e recomendo - Biografias empresariais

Meses atrás li duas histórias jornalísticas de empreendedores interioranos.

Do especialista em Jornalismo Literário Sergio Vilas Boas, o perfil de Luiz Alberto Garcia, que herdou o Grupo Algar e construiu uma trajetória de sucesso no Brasil Central (comprei no dia da noite de autógrafos do meu professor de curso na Academia Brasileira de Jornalismo Literário):



Do jornalista, santista e flamenguista Arnon Gomes, a biografia de Genilson Senche, que fez o jornal Folha da Região se desenvolver como o principal de Araçatuba e região (ganhei do amigo de infância, hoje editor de Política da Folha):