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12.6.22

40 anos e O Tempo

Quarentei recentemente e tirar o peso dessa marca etária me parece importante para que as coisas não fiquem mais pesadas ainda daqui em diante. 

A vida não muda totalmente porque vc chega aos 40. Praticamente tudo que os 40 te apresenta você já tinha experimentado com 39, ou antes. Então bora seguir na caminhada sem se deixar impressionar. Juventude ainda pode ser uma maneira mais leve de estado de espírito para com o envelhecimento.

Sobre passagem do tempo, ainda, gostei muito desse vídeo do Canal do Pirulla, que com 40 anos de idade produziu esse material comemorativo aos 10 anos do canal no YouTube:



26.12.20

Retomando as crônicas de fim de ano

Entre 1995 e 2002 eu escrevia praticamente todos os anos uma crônica de Natal ou último dia do ano. Era como se fosse um registro das vivências, hábitos e preferências de cada momento, para guardá-los na eternidade e na memória com carinho.

Depois entrou a vida adulta de vez e parece que faltaram tempo, vontade, gosto de continuar a tradição. Mas quando a gente volta aos textos, anos depois, é muito gostoso. Cada época tem seu traço específico, algumas novidades, algumas repetições, porém todas fizeram parte de um pedaço de vida que, se a passagem do tempo leva embora, o registro em narrativa textual traz de volta. 

É um pouco de vida voltando a cada crônica, na contramão da inexorabilidade da existência caminhando para o fim. Como se ganhássemos um bônus pra rebobinar a fita (como dizíamos nos anos 90) e viver aquilo de novo. Não parece mágico?

Quando se tem uma nova motivação para viver, como uma filha como a Nina, a magia nos reaviva. Então vamos retomar a saborosa tradição! 2020 tem crônica de Natal. E publicada, uma novidade em relação às anteriores, de quando eu não tinha blog, pra você ver como são antigas. Está lá na minha página do Medium

16.12.18

Assisti e recomendo: Merlí (Netflix)




Site oficial: https://www.netflix.com/br/title/80134797

Essa série de 3 temporadas me cativou, e olha que não sou desses que fica buscando e mergulha em série após série.

(não assino Netflix, por exemplo. Obrigado Amandinha por me permitir o acesso :P)

É sobre um professor de Ensino Médio que se preocupa em fazer seus alunos pensar. Que questiona, provoca, mais do que estimular o decoreba. Envolve-se pessoalmente com os alunos, pais e colegas de escola mais do que o "normal", é verdade. É egoísta e desrespeitoso em vários momentos, concordo também. Mas tudo isso não o faz menos cativante.

(fora que ouvir o idioma catalão é muito daora. Aprender umas palavras, expressões, torna tudo mais saboroso)

Não à toa o seriado fez muito sucesso aqui, com filósofos e professores de filosofia brasileiros comentando, parando para ver e analisar. A ponto de um dos mais gabaritados do país, Renato Janine Ribeiro, ter ficado fascinado e desenvolvido um curso livre baseado nele (clique aqui)

Eu devorei a série no 1o semestre desse ano, mas acabei demorando para soltar esse post. Porém, assim como os demais fãs da obra, saio de 2018 muito feliz, porque, embora o ciclo da série tenha se encerrado, haverá uma nova série, baseada nela, já em 2019 na Espanha! É o que no jargão das séries se chama de spin-off. Pol Rubio, um aluno mais do que especial para Merlí, será o protagonista (clique aqui para ler mais).

Veja mais algumas referências:

Merli: Porque vale a pena começar a assistir a série sobre um professor pouco ortodoxo

Série Merlí da Netflix mostra como conectar Ensino Médio à vida do jovem

Merli - Como ser um bom mau caráter

Livro-interativo expande o universo da série Merlí da Netflix

30.1.17

Teatro: CANTO PARA RINOCERONTES E HOMENS

Passeei bastante no último feriado do aniversário de São Paulo, afinal paulistano, que sempre tem algo para reclamar dela, tem que aproveitar também as vantagens da metrópole.

Fechando o dia, a peça Canto para Rinocerontes e Homens, no Teatro Alfredo Mesquita, zona norte, foi conquistada arduamente, tamanha a concorrência para assistir a ela.

Mas como valeu a pena!


Nunca um espetáculo teatral havia mexido tanto comigo. E aposto que com muita gente da plateia. O enredo gira em torno da animalização do ser humano, brutalização levada ao extremo a partir de elementos muito atuais, reais, comprovados no nosso dia a dia. Saiba mais sobre a peça neste link.

Recomendo fortemente, goste vc de teatro ou não!

(obs: não é a mesma coisa, claro, nem dispensa a sensação de assistir ao vivo, materialmente na sua frente, mas quem não tiver a oportunidade, e/ou tiver a curiosidade, de assistir a um vídeo que mostra uma exibição da peça na íntegra, está disponível clicando aqui)

3.5.15

AH, ABU, PRO-VO-CA-ÇÃO, HEIN !?

Perdemos do nosso convívio, dias atrás, o mestre Antonio Abujamra, dramaturgo, diretor de teatro, ator e apresentador de TV.

Desconhecia os demais trabalhos de talento de Abu, mas o papel de apresentador e mediador na TV Cultura, à frente do programa Provocações, acompanhava de perto, há mais de 10 anos.

Ainda na graduação em Jornalismo, nos bons tempos de vida universitária em Bauru, me reunia com os amigos de república para assistirmos e discutirmos as incisivas provocações abujamrianas. Sua ironia e sarcasmo ímpares, com diversas vítimas, desde a pífia audiência do próprio programa de entrevistas até a tragédia da impotência humana diante da constatação de suas limitações, dilemas e ignorâncias, faziam dele um personagem único.

Entremeava citações de enormes pensadores das ciências sociais, humanas e literatura com entrevistas captadas com transeuntes e maltrapilhos do centro de SP, no entorno da Praça da Sé, aquela gente que parecemos ignorar, perambulando e pregando ao léu, para quase ninguém ouvir e considerar. Mas Provocações ouvia.

Caricaturas e exageros à parte, ele nos fazia pensar e questionar sobre situações e fatos numa perspectiva que nem grandes professores de filosofia fariam. Vai lá, Abu, provoca os caras do outro plano pra onde te mandaram!

Na abertura da edição abaixo, uma das últimas do provocador, ele verbaliza o tradicional prólogo do programa que "idolatrava a dúvida" (sensacional isso!):




3.2.15

Li e recomendo: Crime e Castigo

Pra quem conhece o básico de literatura, pode parecer chover no molhado eu vir aqui recomendar esse clássico de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Afinal, o livro é tido como um dos maiores da história da literatura UNIVERSAL.

Mas depois de ler, é outra coisa, por mais referência ao escritor russo que a gente veja por aí.

Crime e Castigo deve ser a obra mais famosa de Fiódor no Brasil, ou talvez uma das duas mais populares, ao lado de Os Irmãos Karamázov (que pretendo ler também). E realmente impacta.

A densa trama psicológica do protagonista te enreda de uma maneira que vc passa a viajar junto com Ródia nos seus devaneios, seu vai-não vai, sua perambulação sem rotina, sem norte, sem saber quando é a hora de confessar totalmente seu crime, mesmo que não o considere um crime.

De repente mergulhamos na marginalidade da São Petersburgo de meados do século 19 e rodamos sem parar com Raskolnikov, conduzidos pela genialidade do autor. Se deixe levar: a experiência é bem demorada, porém profícua.

4.10.13

Vídeo: Mesa redonda "140 caracteres ou 410 páginas"

Muito interessante a discussão propiciada pelo debate a que podemos assistir na gravação abaixo, de pouco mais de 1h20. Em pauta, a literatura, as redes sociais e o futuro da leitura e da escrita (super me interesso!)

O encontro ocorreu durante o evento Social Media Week, que rolou semana passada em Sampa. Os debatedores foram :

José Luís Goldfarb, coordenador do Núcleo #REDEMIS do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS), propositor da mesa;

Marcia Tiburi, professora de Filosofia da Universidade Mackenzie, que conheci no campus Higienópolis e a quem sigo no Twitter (tem lúcidas reflexões);

Clara Averbuck, blogueira da revista Carta Capital;

Mona Dorf, jornalista da Claque Editora.

Aproveite no player abaixo:



26.7.13

Uma vez escrevi... sobre o Dia do Escritor

Ilustres, de vez em quando resgatarei textos produzidos há alguns anos (ou muitos... #ficandovelho), que ainda não publiquei (ou não me lembro, ou não tenho mais acesso), pois se conectam com assuntos que voltam a me ocorrer na cachola e também para arquivá-los com mais agilidade e segurança (tenho um arquivo de Word recheado de escritos, mas pen-drives, CDs e computadores estão mais suscetíveis a problemas que possam me levar a perder esses dados do que a imensa biblioteca da Web da qual este modesto bológue faz parte).

O primeiro dessa série "Uma vez escrevi" completou 10 anos ontem, no Dia do Escritor, e não apenas pela efeméride consagrada do número redondo, mas pela manutenção do meu pensamento sobre a questão, achei válido praticar a emersão abaixo. Vejam o que o então estudante de Jornalismo escreveu em uma mensagem de e-mail (a não lembro quem...) na época:

Por que parar na leitura? (2003)

            25 de julho, dia do escritor. Logo cedo, alguém na TV cita a data e aconselha milhões de  brasileiros insistentemente: "leiam, não percam esse gosto e esse costume, não deixem os livros encostados na estante!". Ótimo, a leitura é o nosso pão da vida e criar bibliotecas em casa somente para a visita da poeira não tem muita utilidade mesmo. 

Muito propício o incentivo à leitura voltado ao reconhecimento do escritor. Ampliando o raciocínio, porém, pintou um cutucão: todos nós devemos ler assiduamente, pois temos grandes nomes cujas obras se constituem em legados riquíssimos a nossa formação, correto? Então, essa classe dotada de um privilégio intelectual restrito a poucos merece mais respeito: são Escritores, melhor dizendo. Nada contra, já que  devemos muito a eles. A pergunta está do lado de cá. A nós, meros mortais, caberia apenas consumir o legado que vem "de cima"?  O que fazer com o legado diário que acumulamos em preciosos minutos de leitura? Se há "Escritores", assim tratados por viverem das palavras, não podem existir "escritores", pessoas comuns colhendo os frutos de sua condição de leitores?

            A transposição do ler ao escrever, penso, está mais para o atravessar uma rua de mão única do que o ir de Santos a Guarujá numa manhã de fim de semana de verão. Depende mais de quem empunha uma caneta ou se debruça num teclado; os conhecimentos são mais básicos do que muito se pensa. Lamento que se ache que é preciso diploma superior ou se considere atividade exclusiva às ciências humanas e aos comunicadores. Muitos dos "Escritores" nem ensino médio tiveram. Alguém pode pensar: ah, mas eles são (ou foram) "Eles", né... Superando mais um exemplo dessa teimosia nacional que é a auto-subjugação, veremos que a simples alfabetização, tão em voga no país que cada vez mais leva crianças às escolas, pode ser nosso ponto de partida. A partir do cotidiano, podemos ir além do que habitualmente se faz na escola e compõe o contato interpessoal via correio ou internet, por exemplo. Resta agora descobrirmos o que ganhamos com isso.

Vamos dar uma chegadinha até a Europa da Idade Média pré-capitalista, que já via projetos de cidades em muitas feiras livres. Se você planta apenas verduras, como obtém grãos, cereais e outros alimentos? Vai à feira e troca seu excedente pelo do vizinho que planta aquilo de que você precisa; assim ocorreu até que  alguém tivesse a idéia (não tão feliz, creio) de estabelecer um valor de troca para as coisas, que aí se desvinculou do valor de uso, e hoje vivemos com o dinheiro e o capitalismo, mas meu ponto central ficou lá trás. Voltemos ao tema tentando visualizar os benefícios da troca para os nela envolvidos: percebemos que todos ganham ao produzir algo que vai ser aproveitado pelos demais graças à existência da troca em si.

O ato de escrever - com letra minúscula (porque me refiro a nós), além de nos propiciar um conhecimento partilhado sem que tenhamos de comprar livros, não se restringe ao "toma lá = dá cá", nem pára na bondade cristã de contribuir de alguma forma com o enriquecimento do próximo. Quando escrevemos, aperfeiçoamos nossas reflexões de tal modo que nos conhecemos melhor, aprendendo algo novo a cada busca de palavras na seqüência do texto. O prazer e as descobertas se assemelham ao que a leitura proporciona, afinal a escrita assenta-se sobre a materialização de várias coisas que você já leu algum dia, se entendermos tudo que vivenciamos como componentes de nossa leitura do mundo.

O maior estímulo está dado: começar a escrever espontaneamente tende a se converter numa viagem tão saborosa quanto embarcar no universo da leitura. Atualmente, é muito fácil dar asas à escrita: esse e-mail já mostra um pouco do que a internet pode nos proporcionar. Entretanto, somente a disposição de cada um pode fazer nossa cultura avançar nesse âmbito. É batido afirmar novamente que temos de ter a iniciativa, mas, se servir de constatação, um estudante de jornalismo pode vos assegurar: raramente ele ouviu de alguém desde o ginásio até a faculdade que, não bastando a leitura, precisava escrever. Hoje, não se arrepende por ter ido além.

25.2.13

Como vai? >>> Tudo bem?

Não gosto de desperdício, e não só de comida. De palavras ditas também.

Implico com o que falamos e não faz sentido, mesmo cientes disso. Ou com o que não precisamos falar mas acaba saindo por convenções desnecessárias.

O "tudo bem?" é o melhor exemplo. Quantas vezes vc já o usou automaticamente, logo depois de um "oi/olá', na expectativa do interlocutor responder "tudo" mesmo que seja mentira, pq na realidade vc não quer saber como vão todos os aspectos da vida do destinatário/ouvinte, mas receia parecer mal educado se não perguntar?

Ora, se a pessoa não te é intima o suficiente pra abordar sua vida pessoal e naquele momento vc não deseja ou tem tempo pra entrar nesse tema, não pergunte! Não é falta de educação. Se acha rude partir da saudação inicial direto pro assunto que deseja tratar, seja educado no decorrer da mensagem, explique-a, apresente-se, diga "por favor", "obrigado" e tudo o mais que faz sentido nessas situações.

Ou se até tem alguma proximidade e interesse na situação do interlocutor, seja mais preciso e específico sobre o que quer saber (e ouvir). Diga, por exemplo: "Como vai?", "Quais as novas por aí?", "A filhinha vai bem?", "Sua mãe operou?", "E o Corinthians, hein?", etc...

Raciocinemos: pensando por alguns segundos sobre os principais aspectos da tua existência no momento, vc poderia assegurar de fato que está TUDO bem mesmo, quando inquirido(a) e automaticamente responde: "TUDO"?

Sei que to sendo chato sim, mas tem diferença sim e reitero: hipocrisia na comunicação interpessoal não!

16.9.12

ABRE ASPAS - Jean-Paul Sartre

"O mais importante não é aquilo que fazem com você, mas o que você faz daquilo que fazem com você"

(encontrei essa citação do filósofo existencialista francês na introdução do livro "Para entender - A violência no futebol", de Mauricio Murad, editora Benvirá. Na última Bienal do Livro de SP peguei um caderninho com a introdução da obra, que ainda não tive chance de ler mas espero que consiga em breve!)

16.6.11

Gosto pacas deste texto-desabafo, produzido sobre o "ter que trabalhar" após dias e dias no busão a caminho do... trabalho! Resulta de uma reflexão que me parece definitiva, gritando em mim por mais depressiva que pareça. Me diga o que acha, pode ser?

**

DIAS PERDIDOS NO SEMI-ABERTO

Hoje eu poderia conhecer um lugar, experimentar novas sensações, ver como está o mar, adicionar outras impressões. Mas não posso, tenho que trabalhar.

Hoje eu queria me permitir amar, não saindo do lado dela. Não ver a hora passar, tratá-la como cinderela. Mas não podemos, temos que trabalhar.

Hoje eu gostaria de rever os amigos, dar risada até doer, falar pelos ouvidos e brindar sem saber. Mas não posso, tenho que trabalhar e os amigos também.

Hoje bem que eu podia me cuidar, andar, correr e transpirar. Testar a resistência até cair, depois cair na cama até dormir. Mas não posso.

Bem que eu podia curtir o parque só pra relaxar, um livro no gramado, céu meio nublado, pensamentos convidados. Não posso.

Tirar o dia pra caridade, exercitar a bondade, levar um sorriso a quem é preciso. Não.

Eu podia deixar a chuva lá fora e me entocar aqui dentro. Fazer do lar a fortaleza, respeitar a moleza, recusar a dureza de um dia moldado pra não tocar no cadeado. Poderia? Não.

Alguém questiona: Mas existe dia certo para tudo. Já ouviu falar em sábado e domingo? Ou feriados?

Dia certo não, dias que sobram, né? Quer que eu me contente com 2 dias de liberdade e 5 de prisão em regime semi-aberto, de cada pacote de 7 chamado semana? Que eu espere o calendário ser bonzinho e conceder uma emenda de feriado de vez em quando?

A matemática não mente, embora a abstraiamos cotidianamente. Mais de 70% do nosso tempo é perdido com o cumprimento do semi-aberto. Trabalhar é estar preso, não importa se o labor gera mais alegria ou mais dor, sofrimento ou valor, receio ou destemor.

Alguém rebate: Peraí, como sobreviver sem trabalhar? Quer apenas vadiar? Como vai se sustentar?

A proposta soa indecorosa. Mas qual a maior proposta, no período de tempo que chamamos de nossa vida, senão a busca da felicidade? E como atingi-la plenamente sem plena liberdade?

Por que precisa ser assim, perder dias, meses e anos porque precisamos de dinheiro? Faz sentido precisar de dinheiro?

Alguém conclui: então os milionários têm tudo para serem plenamente felizes, pois o dinheiro os liberta.

Liberta? Liberta ou aprisiona tanto quanto o trabalho, por ser indispensável pra quem paga e pra quem recebe?

Eu sonho poder dispensar o indispensável do dinheiro e o indispensável do trabalho, assim como suas grades correlatas. Enquanto isso, perco meus dias na prisão semi-aberta.

Tempo é dinheiro? Pobre do tempo...

(Bruno Pessa, pessimista e pessoal)

19.3.10

Quem é jornalista, como eu, deve saber quem é Alberto Dines. Um decano mestre, que ainda escreve como poucos aos setenta (e todos) anos!

No encerramento do ano passado, seu texto para coluna que mantinha no iG, onde trabalho, me chamou a atenção e acho que vale a pena disponibilizá-lo a quem se interessar.

Chama-se "A década das cuecas" (não, o velhinho não é assanhado...)

{CLIQUE AQUI PARA LER}

E se quiser, responda: Seria possível um mundo sem cuecas?

2.4.09

CHAVES ENSINA, é claro, porque A VIDA, simplesmente, passa no Chaves!

Eis apenas 50 das milhares de coisas que aprendemos assistindo a este clássico-épico da TV:

1. Seria muito melhor ter ido assistir ao filme do Pelé.
2. As crianças mexicanas tem rugas.
3. JAMAIS encostar em alguém que esteja tomando um choque.
4. Seu Madruga paga o aluguel todos os meses. Por isso sempre deve 14 meses, não 15, 16, 17…
5. Brasilia já foi carrão.
6. Não basta ser o maior professor do mundo. Tem que ter um pouco de pepsicologia.
7. Pessoas bebem leite de burra.
8. Existe uma fruta chamada tamarindo.
9. O Quico é emo.
10. Devemos deixar os outros fazerem nosso trabalho para evitarmos a fadiga.
11. A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena.
12. As tintas verde-limão são as mais baratas no México.
13. Trabalho não é a pior coisa do mundo. Pior é ter que trabalhar.
14. Uma epístola é uma carabina, só que menor.
15. Azul escuro em inglês é blue marinho.
16. Equilibrar cabo de vassoura com o pé é maneiro.
17. Deixar uma casca e banana no chão pode causar um grande acidente.
18. O segundo episódio do Guilherme Tell é o mais caro do mundo. Por isso o Silvio Santos não comprou.
19. Alguns móveis são feitos de isopor.
20. Portas também.
21. Se me acordarem às 11h, tragam o café na cama.
22. Socos têm barulhos de sinos.
23. Sempre tem um filho da puta que rouba as moedas nas fontes dos desejos.
24. Leite é muito parecido com gesso.
25. “Quero ver outra vez seus olhos olhinhos em noite serena” é a talvez a única música mexicana que metade da população brasileira conheça.
26. Um cabo de vassoura com um lençol amarrado na ponta equivale a uma mala.
27. O pai do Quico na verdade está vivo, ele simplesmente fugiu de casa.
28. Alguns alunos são tão tímidos que nem os professores percebem sua presença em sala de aula.
29. Uma caveira significa prerigo. PRE-RI-GO.
30. Ninguém tranca as portas nas vilas mexicanas.
31. As marcas de catapora feitas com caneta hidrocor ficariam muito estranhas na TV Digital.
32. Qualquer McDonalds da América do Sul lucraria caso vendesse o Mc Sanduíche de Presunto.
33. Hector Bonilha é o Antonio Fagundes acima da linha do Equador.
34. As pessoas boas devem amar seus inimigos.
35. Deus é um cara legal por não deixar as vacas voarem.
36. Os carrinhos feitos com caixas de sapatos são os mais maneiros.
37. Não é indicado deixar uma máquina de lavar no meio da sala.
38. Nunca acredite em boatos de que seus ídolos morreram num acidente de avião.
39. Bolinhas de tênis de mesa são parecidíssimas com ovos.
40. Pirulitos podem ter o tamanho de raquetes de tênis.
41. O trabalho infantil é legalizado no México.
42. Os roteiristas da série não sabiam o que era a aritmética.
43. O estilingue pode ser uma arma mortal.
44. Tem vez que Acapulco é no Guarujá.
45. Se você é jovem ainda um dia velho será.
46. Pouco me importa se você quer. Compre.
47. Algumas pessoas são idiotas a nível executivo.
48. As dívidas são sagradas.
49. Se você quiser vir a ser alguma coisa, que devore os livros.
50. Se capivaras tivessem trombas seriam trapezistas em um circo tchecoslovaco.

Alguém sabe mais alguma?

27.11.08

FOTO-LEGENDA 1 (para o nº 1 da seção, o nº 1 do mundo... ou não?)



Pra não dizer que não falei de Obama, um dos personagens do ano;
chegue aonde chegares, não esquecei as origens!

24.10.08

FRASE D'ANTIS D'ONTI

Essa tem tudo para virar seção também, até porque aqui não valorizamos apenas o hoje, como faz o imediatismo dessa sociedade tecno-midiática-pós-modernista!

A pérola foi dita by me num momento de filosofia pré-lanche noturno, por ocasião de um colega ter reclamado da profusão de potes plásticos que acompanha as refeições de determinado estabelecimento comercial paulistano (não me pagou, não ponho o nome aqui):

"De saquinhos plásticos e tãipuéres
o mundo está cheio"

É ou não é?

Bruno Pessa sempre sonhou publicar a palavra tãipuer (ou um derivativo) em algum lugar. Mesmo que fosse aqui, um mero grão de areia no oceano blogosférico.

5.5.08

CHAVES PROFUNDO!

Um madruga em cada esquina - Por Rafael Pereira de Menezes (14/02/2002)

Há cerca de 20 anos atrás, em um país distante chamado México, existia uma pequena vila suburbana, habitada por tipos igualmente suburbanos. Eram pessoas comuns: Viúvas, desempregados, crianças, professores... Também há cerca de 20 anos, um pouco menos do que isso talvez, uma recém fundada emissora de TV brasileira adquire um despretensioso seriado produzido no México, retratando justamente a vida das pessoas descritas no parágrafo acima. Para quem não percebeu, estou falando do Chaves, ele mesmo, o garoto que vive dentro de um barril.

Nasci em 1982, portanto minha infância foi muito marcada por esta série. Me lembro que ela era transmitida em horário nobre, às 20h. Minha mãe sempre me obrigava a ir dormir após o Chaves. Era um momento bastante esperado pra mim, que ficava torcendo pro episódio não terminar, assim eu poderia ficar acordado até mais tarde.

O tempo passou, aquele canal de TV cresceu e hoje é um dos maiores do país, investe milhões em artistas, em filmes e em programas. Porém aquela série permanece no ar, diariamente. Bom, tem gente que detesta, tem gente que adora, mas é impossível negar. Todos nós já passamos algumas horas em nossas vidas assistindo o programa dos personagens criados por Roberto Bolaños. O que intriga a muitos é como o programa consegue se manter no ar por todos estes anos? Como uma série que possui tão poucos recursos técnicos consegue cativar crianças e adultos em plena era do computador, dos desenhos feitos em animação gráfica?

NÃO POR ACASO
Sempre me questionei a respeito disso sem nunca ter conseguido chegar a uma resposta. Até que um dia, por acaso, zapeando os canais de TV à tarde, acabei vendo uma entrevista de Bolanõs. Uma frase dele que me chamou muito a atenção foi a seguinte: "o Chaves faz sucesso em qualquer lugar do mundo onde existe fome". Realmente, sua série é bem sucedida em toda a América Latina, do México à Argentina. Pude comprovar pessoalmente isto quando estive no Chile, em 1999. Todos os latinos conheciam os personagens e os capítulos, assim como no Brasil. Já os europeus e norte-americanos nunca tinham sequer ouvido falar. Comecei a ver algum sentido na afirmação de Bolaños.

Aquela vila despretensiosa é um microcosmo que contém a sociedade latino americana. É uma grande caricatura de nós mesmos. Pode parecer estranho este comentário. Mas uma observação mais atenta sobre os personagens demonstra isso claramente.

Um homem que vive endividado, que tenta várias profissões diferentes durante um curto espaço de tempo, sem nunca atingir êxito em qualquer delas, mas que mesmo assim nunca para de procurar outra atividade para manter a si próprio e a sua filha única. Passa a maior parte de sua vida desempregado ou sub-empregado, o que transmite a um observador menos atento uma imagem de preguiçoso, de vagabundo. É assim taxado por todos aqueles que ocupem uma classe social mais alta do que a dele, como por exemplo, seu senhorio. Quantos 'madrugas' não estão por aí, nas bancas de camelô dos centros das grandes cidades brasileiras? Vivendo de aluguel e sendo despejados de casas pequenas na periferia? Estariam eles também nas invasões de terrenos públicos? Nas favelas, talvez?

Sua vizinha é uma viúva que vive de pensão, símbolo de uma classe média cada vez mais oprimida e decadente, mas que mesmo assim luta com todas as forças para manter o que resta de sua posição social (apesar de viver em um cortiço). Tenta de todas as formas manter um padrão de vida que já não condiz com sua realidade. É obrigada a viver em um bairro afastado, cercada de pessoas de nível cultural inferior, o que a incomoda, e ao mesmo tempo a eleva. Neste local ela pode ser superior. Pode olhar todos os seus vizinhos de cima. Não por acaso, ela se aproxima da única pessoa na história que possui um nível de cultura um pouco mais elevado, ou seja, o professor de seu filho, um garoto robusto e mimado, que por isso é sempre passado pra trás pelas outras crianças, mais pobres e, talvez por isso, mais espertas, uma vez que não tiveram tanto mimo, tanto zelo por parte de seus pais.

Na casa ao lado vive uma senhora de idade não tão avançada, mas que é claramente discriminada por todos os habitantes do local por isso. Vive sozinha, dependendo de sua aposentadoria pra viver. O dinheiro, embora escasso, é suficiente, uma vez que ela vive sozinha. Uma pessoa em seus 60 anos sendo considerada idosa, não seria reflexo de uma baixa expectativa de vida? Qual será a média de vida da imensa maioria de madrugas de nosso país? E por que ela é sozinha? Será que alguém olha pra ela? As visitas do carteiro nunca trazem nada para tal senhora. Ela cita alguns parentes distantes, que porém, jamais aparecem. Eles não se importam. O idoso é visto como um peso, alguém que dá trabalho e não trás retorno, logo é isolado em sua pequena casa, ou em um asilo, ou em seu quarto. Apenas ela e suas lembranças entram naquela casa.

SI, EL CHAVO
Chego finalmente ao personagem central da história. Um garoto que diz ter família, mas que ninguém a conhece. Que diz ter um nome, mas que ninguém sabe qual é. Ele vive no mesmo ambiente destas pessoas, brinca no pátio e vai a escola, porém sempre sozinho. Não tem o que vestir, enquanto as crianças próximas a ele estão sempre bem vestidas. Todos demonstram pena pela criatura, e engolem seco cada vez em que ele manifesta sua fome, suas necessidades, sua carência afetiva. Porém nada de concreto é feito para mudar sua condição, talvez um sanduíche de presunto hoje, um sapado usado e velho amanhã. Isso basta para manter as consciências suburbanas tranqüilas e satisfeitas, com uma caridade vazia que mantém uma criança vivendo dentro de um barril.

Este barril poderia ser uma marquise? Um viaduto? Quantas crianças vivem nas ruas de nosso próprio bairro e nada fazemos para ajudar? Damos um trocado aqui, um sanduíche aqui. As vezes até juntamos tudo o que não queremos, colocamos em um saco de supermercado e descemos de nossos apartamentos para fazer a caridade. Restos, apenas restos. De comida, de roupa, de afeição. O garoto continua lá, faminto e sozinho. Irá crescer e ser repreendido caso vier a contrariar as regras da sociedade em que cresceu a margem. Ou pior, no caso de suspeita, será o culpado. Não pretendia citar episódios da série nesta parte do texto, mas não posso deixar de citar o episódio do ladrão que aparece na vila. Todos, sem exceção, o acusam de ladrão. Sempre afirmaram que tinham pena e até chegavam a gostar do pobre coitado, porém na primeira oportunidade ele foi julgado e condenado. Era inocente e todos pediram desculpas. Mas tais desculpas aparecem na vida real? Acho que não.

Realmente, meus colegas europeus jamais entenderiam este contexto, logo jamais ririam disto. Que sorte a deles. A auto-ironia sempre tem um efeito devastador sobre todos. Não existe nada mais fácil do que rir de si mesmo refletido no outro. Não existe nada mais fácil do que julgar e condenar alguém que se encontra um pouco abaixo de você.

Então desempregado e vagabundo se confundem, a velha é velha, o rico é rico (mais um detalhe, os ricos da série são gordos, teria isso algo a ver com abundância? Será por isso que todos os outros são magros?), ele não se mistura, apenas aparece para cobrar aluguéis (contas, mensalidades, prestações) e a criança abandonada permanece abandonada. Aliás, todos permanecem abandonados à própria sorte em seus pequenos problemas, aparentemente sem solução, tentando se adaptar inutilmente à esta dura realidade.

Claro, isso são coisas que só se percebem com o tempo. Uma criança não entende tais coisas ao assistir "Chaves". Os adultos riem um riso solto, "esses problemas não são apenas meus" pensam, mesmo que inconscientemente. E acham tudo aquilo engraçado. Aquilo tudo lhes diz respeito e faz muito sentido. Aquele é o seu próprio mundo e a sua própria comédia. Infelizmente.

Bruno Pessa sempre concede a palavra quando alguém fala bonito e nos faz pensar sobre temas de relevância cômico-social

28.4.08

O QUE REALMENTE IMPORTA?

Não vejo a hora do "caso Isabela Nardoni" deixar a minha TV, pois todos os dias me enoja tanto a postura da mídia sanguessuga quanto a dos populares-curiosos-desocupados que não desgrudam dessa novela. Em vez de deixarem a polícia e a justiça cuidarem de um crime de interesse meramente privado, envolvendo pessoas que não têm nada a ver comigo nem com vc, e se preocuparem com assuntos que realmente nos dizem respeito, a mídia fica sensacionalizando o fato, aumentando o clima de comoção e a irracionalidade de quem acha válido apedrejar os acusados.

Não me acuse de insensível; se os acusados fossem seus familiares ou amigos, vc acharia normal que eles pudessem ser linchados ao colocar o rosto na rua, não bastando o fato de já estarem eternamente condenados? É plausível pessoas viajarem horas e ficarem em frente a um prédio por outras horas, só pra ter seu cartaz exposto à mídia e gritar impropérios quando seus alvos aparecerem? Ah, elas precisam demonstrar sua indignação?? Teriam elas alguma vez ido à uma sessão da Câmara Municipal - onde não deve faltar motivos para revolta - para cobrar seus vereadores, por exemplo???

Isso não é coisa só da minha cabeça. Olha só o que li quando estudava na biblioteca da PUC-SP hoje de tarde:

"Na sociedade do espetáculo, em que o espaço da política é substituído pela visibilidade instantânea do show e da publicidade, a fama torna-se mais importante do que a cidadania; além disso, a exibição produz mais efeitos sobre o laço social do que a participação ativa dos sujeitos nos assuntos da cidade/sociedade, ou do que a produção de novos discursos capazes de simbolizar o real. À aparente desimportância dos assuntos de interesse público, corresponde um excesso de 'publicidade' e de interesse a respeito dos detalhes mais insignificantes, ou mais constrangedores, da vida privada"

(VISIBILIDADE E ESPETÁCULO, artigo de Maria Rita Kehl, página 143 do livro "VIDEOLOGIAS", organizado por Kehl e Eugênio Bucci, Editora Boitempo, 2004)

Sociedade do espetáculo: falou e disse!

31.3.08

QUERIDOS AMIGOS” FOI a minissérie que acabou semana passada na Globo. Acompanhei sempre que podia porque ela mergulhou na história recente do país, falando do fim da ditadura, anistia e o que aconteceu com membros da militância política dessa fase no fim dos anos 80. Mas não foi isso que mais me prendeu.

A trama girou em torno de Leo, um dos 'amigos', que, sentindo a iminência da morte por causa de uma doença, resolve reestabelecer as amizades que o tempo separou, e faz de tudo para demonstrar seu afeto por eles gratuitamente, com a única preocupação de aproveitar ao máximo a vida que lhe resta. Louvável!

As aparições de Leo antes da morte são mágicas (não somente porque ele faz mágicas...) e é difícil não se emocionar com a voz de Milton Nascimento em “Canção da América”, que acaba me lembrando um tal de Ayrton Senna da Silva... O fim da história sugere que os amigos, presentes de branco no seu enterro (quero isso no meu, nada de preto, é momento de alegria porque o morto estará mais perto de Deus!), são agora definitivamente amigos. Ou seja, missão cumprida.

Agora pensa comigo: faz sentido demonstrar tanto carinho pelas pessoas amadas, com total desprendimento (nada de aniversário, Natal, Ano-Novo, Dia de São Valentim etc), somente pela certeza de que a separação está próxima? E quem garante que ela virá somente na velhice, para nós seres saudáveis?

Eu tô certo que não devemos esperar, e simplesmente os fatos de estarmos vivos e sermos amigos justificam que tenhamos gestos de afeto e momentos de celebração. Você não acha?

24.3.08

GOSTEI DESTA REFLEXÃO, por isso partilho-a contigo!

"Os quatro fantasmas" - Martha Medeiros

Me deparei com as quatro principais questões que assombram as nossas vidas e que determinam nossa sanidade mental. São elas:

1) Sabemos que vamos morrer.
2) Somos livres para viver como desejamos.
3) Nossa solidão é intrínseca.
4) A vida não tem sentido.

Basicamente, isso. Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com a nossa finitude, com a nossa liberdade, com a nossa solidão e com a gratuidade da vida. Sábio é aquele que, diante dessas quatro verdades, não se desespera.

Realmente, não são questões fáceis. A consciência de que vamos morrer talvez seja a mais desestabilizadora, mas costumamos pensar nisso apenas quando há uma ameaça concreta: o diagnóstico de uma doença ou o avanço da idade. As outras perturbações são mais corriqueiras.

Somos livres para escolher o que fazer das nossas vidas e isso é amedrontador, pois coloca a responsabilidade em nossas mãos. A solidão assusta, mas sabemos que há como viver com ela: basta que a gente dê conteúdo à nossa existência, que tenhamos uma vontade incessante de aprender, de saber, de se autoconhecer.

Quanto à gratuidade da vida, alguns resolvem com religião, outros com bom humor e humildade. O que estamos fazendo aqui? Estamos todos de passagem. Portanto, não aborreça os outros nem a si próprio, trate de fazer o bem e de se divertir, que já é um grande projeto pessoal.

Volto a destacar: bom humor e humildade são essenciais para ficarmos em paz. Os arrogantes são os que menos conseguem conviver com a finitude, com a liberdade, com a solidão e com a falta de sentido da vida. Eles se julgam imortais, eles querem ditar as regras para os outros, eles recusam o silêncio e não vivem sem aplausos e holofotes, dos quais são patéticos dependentes. A arrogância e a falta de humor conduzem muita gente a um sofrimento que poderia ser bastante minimizado: bastaria que eles tivessem mais tolerância diante das incertezas.

Tudo é incerto, a começar pelo dia e a hora da nossa morte. Incerto é o nosso destino, pois, por mais que façamos escolhas, elas só se mostrarão acertadas ou desastrosas lá adiante, na hora do balanço final. Incertos são os nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando só. Enfim, incerta é a vida e tudo o que ela comporta. Somos aprendizes, somos novatos, mas beneficiários de uma dádiva: nascemos. Tivemos a chance de existir. De se relacionar. De fazer tentativas. O sentido disso tudo? Fazer parte. Simplesmente fazer parte.

Muitos têm uma dificuldade tremenda em aceitar essa transitoriedade. Por isso a psicoterapia é tão benéfica. Ela estende a mão e ajuda a domar o nosso medo. Só convivendo amigavelmente com esses quatro fantasmas - finitude, liberdade, solidão e falta de sentido da vida - é que conseguiremos atravessar os dias de forma mais alegre e desassombrada.

1.2.08

POBRES SACOS PLÁSTICOS DOS POBRES

Seguindo a linha do discurso ecologicamente consciente-correto, uma pá de gente anda metendo o pau nos saquinhos plásticos que o comércio nos fornece quando vamos às compras, pela degradação ambiental que eles causam após seu desuso. De fato, há uma penca de sacos acumulados no nosso dia-a-dia!

Mas sem eles, temos um problema. Não falo de termos que adotar uma sacola padrão para levarmos às compras, reutilizando-a ad infinitum. Sem os saquinhos, como vamos "vestir" as lixeirinhas da cozinha e dos banheiros de casa? Como vamos levar lanche/marmita pra escola/trabalho? Como vamos evitar que o guarda-chuva molhe a bolsa? Como vamos separar a roupa suja do resto da bagagem em situações de dormir fora?

Ah, existem sacos especializados pra lixo à venda, eu sei. Mas não chegam em casa de graça né... Conclusão: azar dos que levam lanche e guarda-chuva na bolsa, que vão ter de incluir um novo item nas despesas. Pobre só se ferra mesmo... E os anos de amizade com os sacos plásticos, quebra-galhos tão úteis? Vão pro lixo? Não, vai acabar poluindo o ambiente...


Bruno Pessa gosta de sinônimos coloquiais, tipo "uma pá, uma penca = um monte, no sentido de muuito", além de latinidades como "ad infinitum = para sempre"