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27.5.26

Li e Recomendo: Campeões da Raça

 O livro mais recente lido no meu Kindle foi "Campeões da Raça: Os Heróis Negros de 1958", de Fábio Mendes.

Ele presta um importante papel ao denunciar o contexto racista que permeou o futebol brasileiro em meados do século 20, especialmente nas décadas de 1940 e 1950.

A derrota dolorida da seleção em 1950, no Mundial que o Brasil sediou e acreditava vencer, reforçou o preconceito sobre os jogadores negros, atrelados ao fracasso, como atletas fracos esportiva e emocionalmente.



Esse estigma acompanhou os próximos dois ciclos em Copas, com a precoce queda em 1954 e a campanha redentora em 1958. Redentora uma vez que os talentos negros daquele plantel finalmente ganharam oportunidade e conquistaram seus lugares em campo, como Pelé, Garrincha, Didi e Djalma Santos.

O inquestionável sucesso com o título mundial na Suécia rompeu com a sombra do embranquecimento, sutil porém notável, que historicamente caracterizava a Seleção Brasileira. Infelizmente não foi suficiente para extirpar o racismo do mundo do futebol, mas certamente representou um passo importante para um tratamento mais igualitário e respeitoso dos jogadores, independentemente da cor de sua pele.

Li, gostei e recomendo!

5.7.16

Hits das Antigas: Sambas-enredos sobre a abolição da escravatura

Os samba-enredos das escolas campeãs dos carnavais cariocas de 1988 e 1989 - Vila Isabel e Imperatriz Leopoldinense, respectivamente - versaram sobre o centenário da abolição da escravatura no Brasil (1888). E foram dois primores em letra e música!

Sempre gostei de sambas carnavalescos e esses estão entre meus favoritos! "Kizomba, a Festa da Raça" ganha em beleza e poesia, enquanto que "Liberdade, Liberdade! Abra as asas sobre nós" embala pelo refrão contagiante. O primeiro é de Rodolpho, Jonas e Luis Carlos da Vila, também interpretado por Martinho da Vila. O segundo, da Imperatriz, composto por Niltinho Tristeza, Preto Jóia (intérprete principal), Vicentinho e Jurandir.

Bora cantar e sambar!



KIZOMBA A FESTA DA RAÇA

Valeu Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a Abolição

Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e Maracatu

Vem, menininha, pra dançar o Caxambu (bis)

Ô ô nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ô ô Clementina
O pagode é o partido popular

Sarcedote ergue a taça
Convocando toda a massa
Nesse evento que com graça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção

Esta Kizomba é nossa constituição

Que magia
Reza ageum e Orixá
Tem a força da Cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais

Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o Apartheid se destrua





LIBERDADE, LIBERDADE! ABRA AS ASAS SOBRE NÓS

Vem, vem, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria, mãe querida
O império decadente, muito rico, incoerente
Era fidalguia
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí

Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu de cultura o Brasil
A música encanta e o povo canta assim
Pra Isabel, a heroína
Que assinou a lei divina
Negro, dançou, comemorou o fim da sina
Na noite quinze reluzente
Com a bravura, finalmente
O marechal que proclamou
Foi presidente

Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós (bis)
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz

Para reviver outros Hits das Antigas postados aqui, clique neste link!

29.11.15

Hit das Antigas: Roda Viva, Chico Buarque

Escrita para a peça de teatro de mesmo nome, também de autoria de Chico, se converteu em uma das maiores referências metafóricas à repressão do período ditatorial no Brasil, entre os anos 1960 e 80.

No vídeo, o compositor e a banda MPB4 a apresentam no III Festival de Música Brasileira, exibido pela TV Record, em 1967. A canção ficou em terceiro lugar na ocasião.

É bem antiga, mas um primor. Clássicos nunca saem de moda!




Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá


Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração


A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá


Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração


A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá


Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração


O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá


Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração


(repete refrão 2x)

20.10.15

Hit das Antigas: O Bêbado e a Equilibrista

Uma das minhas preferidas da diva Elis Regina, referência direta ao duro período da ditadura brasileira, mescla de aula de história com literatura! Rica letra numa linda voz!!

A canção, de João Bosco e Aldir Blanc, foi coroada como o hino da anistia, quando personalidades brasileiras voltaram do exílio a partir de 1979, em um momento de alívio e festa no país.

A letra faz referência a Clarice Herzog, viúva do jornalista Vladimir Herzog, cuja morte provocada pelo regime repressivo completou 40 anos dias atrás (leia entrevista recente de Clarice clicando neste link). 




Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos...

A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil.
Meu Brasil!...

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarices
No solo do Brasil...

Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança...

Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar...

5.5.15

Li e recomendo: U-93 - A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial

Grande reconstituição histórica sobre um acontecimento que nós brasileiros não conhecemos tanto como a Segunda Guerra Mundial, por exemplo. É por isso, também, que é inegável o mérito do jornalista e escritor Marcelo Monteiro, que já havia escrito sobre o conflito de 1939 a 45.

Ele te coloca pra dentro daquele momento da vida brasileira, uma República ainda ganhando forma, com uma narrativa rica em detalhes e pontos de vistas. E dá uma aula de marinha bélica, apresentando o contexto dos submarinos e demais navios de guerra que os livros tradicionais de história geral pouco ilustram.

O gaúcho e gremista colorado Monteiro, hoje na imprensa porto-alegrense, foi meu colega de iG Esporte durante poucos meses, mas fiz questão de cumprimentá-lo pelo sucesso (já que ele superou a tendência de a maioria dos jornalistas representarmos projetos frustrados de escritores) quando ele voltou à Pauliceia para o lançamento do U-93 na última Bienal do Livro, ano passado.

Demoraram vários meses, porém concluí a leitura e deixo aqui esse livro-reportagem-história como indicação de boa (e em vários pontos divertida) leitura aos amigos, sejam eles "da imprensa" (conforme expressão do próprio autor) ou de fora!


3.2.15

Li e recomendo: Crime e Castigo

Pra quem conhece o básico de literatura, pode parecer chover no molhado eu vir aqui recomendar esse clássico de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Afinal, o livro é tido como um dos maiores da história da literatura UNIVERSAL.

Mas depois de ler, é outra coisa, por mais referência ao escritor russo que a gente veja por aí.

Crime e Castigo deve ser a obra mais famosa de Fiódor no Brasil, ou talvez uma das duas mais populares, ao lado de Os Irmãos Karamázov (que pretendo ler também). E realmente impacta.

A densa trama psicológica do protagonista te enreda de uma maneira que vc passa a viajar junto com Ródia nos seus devaneios, seu vai-não vai, sua perambulação sem rotina, sem norte, sem saber quando é a hora de confessar totalmente seu crime, mesmo que não o considere um crime.

De repente mergulhamos na marginalidade da São Petersburgo de meados do século 19 e rodamos sem parar com Raskolnikov, conduzidos pela genialidade do autor. Se deixe levar: a experiência é bem demorada, porém profícua.

9.1.14

Ano novo e indicação costumeira

Depois de passar as festas no sempre acolhedor interior paulista (conexão Bragança Paulista - Ribeirão Preto - Marília), o que rendeu uma boa desintoxicação paulistana, voltamos ao batente na capital que nos dá o trabalho.

Como tenho feito nos últimos anos, recomendo aos jornalistas, comunicadores, humanistas e demais graduandos motivados a mergulhar em histórias de vida e na arte de relatá-las a especialização em Jornalismo Literário da ABJL, agora promovida pela EPL, do mestre Edvaldo Pereira Lima.

Cursei a pós entre 2006 e 2007 e me fez muito bem, profissional e pessoalmente!

Para mais informações, consulte o link abaixo, do site de Edvaldo, ou nos pergunte:

http://edvaldopereiralima.com.br/index.php/jornalismo-literario/pos-graduacao/perguntas-e-respostas

23.1.13

ORIGEM DAS COISAS - A palavra "favela"

Excerto extraído de reportagem do site ControVérsia* sobre o Morro da Providência, no Rio de Janeiro, literalmente marcado pela aproximação da Copa e da Olimpíada na cidade:

"...O Morro da Providência, cujos primeiros barracos começaram a ser erguidos no final do século 19, é a primeira favela do Brasil. Localizada entre a Central do Brasil e a zona portuária, sua origem remete a uma das injustiças habitacionais da história da antiga capital do Brasil.

O governo federal não cumpriu sua promessa de dar moradia aos soldados que voltavam da Guerra de Canudos (1896-1897). A palavra favela, que agora se estende a todos os bairros pobres e superlotados do Brasil, teria surgido ali com os soldados que a identificavam com o nome de um morro onde ocorreram batalhas no interior do Estado da Bahia, que levava o nome de uma planta do lugar..."

 
 
 
*de autoria de Fabiana Frayssinet (Envolverde/IPS), originalmente publicada pela Revista Samuel.