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10.6.24

1 valeu mais que 13

 Chamei 13 núcleos de amigos prum restaurante, num sábado início de noite, pra festejar os 42 anos passados na semana passada. 

Digo núcleos de amigos pq havia casal em que os 2 são amigos, e o convite foi ao casal junto, não os amigos separadamente. Se eu contasse separadamente, daria mais do que 13 amigos. Mas foram 13 convites, entende?

Um fim de semana comum, logo depois de um prolongado por feriado na quinta-feira. Num restaurante pertinho de estação de metrô.

12 dos 13 convites não foram atendidos, pelos mais variados motivos. Só um amigo compareceu. Mas valeu a noite! E que bom que temos amizades que valem por anos, décadas, tipo uma vida né?


12.6.22

40 anos e O Tempo

Quarentei recentemente e tirar o peso dessa marca etária me parece importante para que as coisas não fiquem mais pesadas ainda daqui em diante. 

A vida não muda totalmente porque vc chega aos 40. Praticamente tudo que os 40 te apresenta você já tinha experimentado com 39, ou antes. Então bora seguir na caminhada sem se deixar impressionar. Juventude ainda pode ser uma maneira mais leve de estado de espírito para com o envelhecimento.

Sobre passagem do tempo, ainda, gostei muito desse vídeo do Canal do Pirulla, que com 40 anos de idade produziu esse material comemorativo aos 10 anos do canal no YouTube:



1.2.17

Passou o aniversário de SP, mas fica uma música




LÁ VOU EU (COMPOSIÇÃO E GRAVAÇÃO, RITA LEE*)

Num apartamento
Perdido na cidade
Alguém está tentando acreditar
Que as coisas vão melhorar
Ultimamente
A gente não consegue
Ficar indiferente
Debaixo desse céu
Do meu apartamento
Você não sabe o quanto eu voei
O quanto me aproximei
De lá da Terra
As luzes da cidade
Não chegam nas estrelas
Sem antes me buscar
E na medida do impossível
Tá dando pra se viver
Na cidade de São Paulo
O amor é imprevisível como você
E eu
E o céu

Lá vou eu
Com o que Deus me deu
Escutando o som
Conquistando o céu
Desprezando o chão
Da janela do sétimo andar
Sem elevador
E a cara feia do zelador
Venha correndo
Venha, venha me dar amor

*Zélia Duncan também gravou a canção (aliás, foi quem ma apresentou e tenho mais ouvido quando toca nas rádios paulistanas), uma bela versão, mas não tem a estrofe final, então optei por colocar a versão original e mais completa, da Rita Lee.



27.12.16

10 anos de vida

27 de dezembro de 2006 marcou o nascimento deste blog, acredita?

Foi com este post, explicando o porquê do blog e de seu nome frasístico: http://naotevejeito.blogspot.com.br/2006/12/certas-coisas-na-vida-no-temos-como_27.html

Quanta coisa mudou e mudamos de lá pra cá! Ainda não era paulistano de vez, o que vai completar 10 anos em breve.

Ainda mudava de namoradas quando não dava certo, antes de casar e até me separar. 

Ainda iria para os dois empregos mais duradouros da minha carreira até hoje. Felizmente, sem ter de deixar a comunicação.

Ainda não sentira na pele o que era ser padrinho de uma criança e tio de um filhote quase gente como a gente. 

Vivia na fase de muitas festas de formatura e depois viriam muitas de casamento. Tenho saudades dessas festas, uma pena elas irem escassando conforme envelhecemos, ainda mais para espíritos jovens e farristas e sarristas como o meu (Quanto a me formar e casar, foi bom mas hoje não prevejo repetecos).

Ainda não sabia como era morar sozinho na minha casa. Como isso é bom!

Não tive ainda a oportunidade da paternidade de seres humanos, como parecia previsível. Ok, não me frustrou. E se não tiver pro resto do meus dias terrenos, a vida não há de ser menos bela e completa, porque isso só depende de mim.

Ainda não conhecia o Cursinho Laudelina da Rede Emancipa. Até porque na verdade eles ainda não existiam. A Rede vai pra 10 anos, o Lauds 7!

Ainda não tinha tantos fios grisalhos entre a pretaiada que (ainda) domina meu couro capilar. Isso não é um problema atualmente. Mesmo porque os desconhecidos continuam me dando 24, 25, às vezes 30 anos de idade à primeira vista (inocentes, já vivi 34!). 

Ainda não havia redes sociais, que roubaram considerável importância e tempo na rotina de quem tinha blog. Tanto que alguns os largaram. Mas eu torço pra mais 10 anos deste. Que venha 27 de dezembro de 2026 neste mesmo local então! 

26.12.15

9 anos de blog

Porque o 9 é sinônimo de gol no futebol (imagem do site http://www.osgeraldinos.com.br/)

Esse filho é mais velho do que Facebook, Instagram, Twitter e tudo que é rede social da moda hoje!

Como o aniversário cai sempre entre Natal e Ano Novo (27/12), registro novamente onde estou passando as festas. Vim pra Ribeirão Preto, pra passar com os Pessa, e antes da virada vou com os pais pra Marília, onde estão alguns Ravanelli e amigos. Dias depois, recomeça o ano laboral em São Paulo. Ou seja, ótima recarregada de energia no interior paulista!

Feliz, iluminado e profícuo 2016!


26.12.14

8 anos aqui

O número 8 representa a mudança, as estações, o tempo, e o reino do infinito. Aliás, 8 é a soma dos algarismos do ano que chega, 2015!
Mais um fim de ano, e desde 2007 isso pra mim significa aniversário deste blog, criado um ano antes.
O que é que isso significa? Persistência, eu diria, e acho isso bom.

Este Natal passei novamente em Bragança Paulista, mas dessa vez os cunhados nos receberam em uma casa diferente da de 2013, embora no mesmo pacato bairro.

A virada será em SP capital e depois, um ótimo refresco antes da volta ao trabalho: uns dias no litoral!

Aliás, independentemente de onde e como a gente passe a virada do ano, e adentre o novo ciclo, quem sobrevive a 365 dias em um país como o nosso, numa cidade como SP, ileso, com saúde e ânimo renovado, já tem o que celebrar, afinal escapou de engrossar as tristes estatísticas da violência, da impunidade, da injustiça, do descaso e da falência dos serviços públicos básicos...

Parabéns ao blog, a mim, a vc, e vamo que vamo 2015!

16.4.14

Aniversário do outro blog

Amanhã o Le Blog du Foot completa 5 anos de vida, e atividade ininterrupta. É mais novo do que este Nãotevejeito, que já soma mais do que 7 anos no ar. 

Mas lá a pegada é mais intensa, quase diária, toda semana praticamente, porque se propõe a acompanhar, informar e opinar sobre o futebol francês no que ele tem de melhor, e tem matéria-prima em pelo menos 50 das 52 semanas do ano.



Aqui eu venho de vez em quando, numa média de uma ou duas postagens por mês (ok, vou tentar mudar isso), porque é um espaço totalmente pessoal, sem compromissos externos, e não tem a mesma agilidade das redes sociais onde estou (Twitter e Facebook), também.

E como lá eu preciso tocar no meu tempo livre, quando dá tempo e tenho internet disponível (e ultimamente não tenho smartphone mais para recorrer), o desafio ainda é maior, considerando também o vínculo com um grande portal como o iG, como explicarei no post em referência ao aniversário que publicarei amanhã. Então tô bem feliz com essa marca!

3.6.12

30 e contando!

Não teve jeito, 30 anos. Mas não tem desânimo pra quem tem saúde e é amado, pois com essas bênçãos o futuro é pra lá de animador com as possibilidades que se apresentam, e cada ano passa numa boa, sem neuras e sentimentos depressivos...

Em vez de contarmos o que já passou e não volta mais, nos animemos com o que pode ter de positivo no passar dos anos: estou cada vez mais perto de andar de ônibus de graça, ter preferência em filas de atendimentos, vagas reservadas em estacionamentos, ganhar netinhos pra curtir, etc etc...

Bruno Pessa agradece a todos os parabéns recebidos, nos mais variados canais, e especialmente pelo presente que Arianne Pessa representa na sua vida!

26.1.12

PARABÉNS, SÃO PAULO...



Enquanto a gente vir esse tipo de paisagem (foto de Tuca Vieira, em Paraisópolis), não tem muito o que comemorar não...

Bruno Pessa é paulistano por (falta de??) opção, tem gratidão pela cidade que o abriga e emprega, mas nem por isso se sente impedido de apontar suas feridas

25.1.11

NIVER DA VÉIA

Cá estou em mais um aniversário de São Paulo (a quem eu gosto de me referir como "Ah, Pablito!"), 457 recém-passados. Gostaria de me juntar aos que a louvam, mas não consigo. Mesmo assim, indico e reproduzo abaixo o texto da jornalista e paulistana Marli Gonçalves sobre a efeméride deste 25 de janeiro. Mas não deixo de colocar abaixo, também, o que eu respondi a ela, por email, quando recebi e li seu relato.

São Paulo, Ailoviiú (por Marli Gonçalves)

"Peço desculpas de antemão. Terá de ser um pouco maior, tão grande quanto a cidade que homenageia. Feche os olhos. Imagine São Paulo. Vou tentar narrá-la. Ou descrevê-la como fazíamos em nossa infância, na frente de desenhos importados e mal impressos. Aqui está tudo em nossa própria carne. Impressões digitais e na íris, nome de uma flor que você vê, andando por ela.


Vejo coisas malucas que só por aqui. Vi uma fila de motoboys, pizzas na mão, em frente a um prédio só, em dia de chuva. Vejo policiais de bicicleta, de moto, de viaturas, de helicópteros. E descalços, ao mesmo tempo, com seus salários de fome. Uma fome que alimenta a violência. Vejo até guardas florestais com imponentes Lands Rover. São Paulo tem áreas florestais, sabia?

Na chuva, enchentes. Na seca, narizes sangrando e muito coff-coff-coff. O asfalto queima as patinhas dos cães, muitos, vira-latas ou de madames, mas aqui algumas delas põem sapatinhos em seus bichinhos. Cavalos puxam homens e carroças. Carroças são puxadas por homens e cavalos. Às vezes homens puxam cavalos e carroças. Algumas, apenas o cavalo solto nas estradas, perigo da noite.

Gente que tem muito. E gente que não tem nada. Nem a perder. Nada. E achados e perdidos, que essa cidade tem.

Tem trânsito, tem calmaria (mas só quando a deixam, fugidos, nos feriados). Tem flores de todos os tipos, árvores coloridas. Mas você precisa olhar para elas. Os ipês, mancas, quaresmeiras, as azáleas, os lírios e as palmas. As íris, quase violetas.

Aqui já vi, vejo e verei mendigos poliglotas. Loucas elegantes que fazem uso à sua moda do que ganham, acham nas latas, caçambas da vida. Nas caçambas dos Jardins acha-se de tudo: estolas, quadros, móveis. Eu já vi e catei. Brinquedos. Não entendo por que quem joga não é capaz de juntá-los para oferecer e ganhar na troca o olhar lindo de uma criança. É São Paulo.

Já vi até dentro de carrinhos de bebê. Aqui tem gente que anda nas ruas com cães, gatos, papagaios, cacatuas, e até porcos e coelhos. Minha mãe teve dois galos. Que cantavam nos Jardins.

Ah, barulho tem toda hora. Agora. De noite e de dia. Psiu? Cadê você, Psiu? Sempre em construção. Ou carros e motos acelerando. Ônibus lotados subindo ladeiras, que aqui têm muitas. E os bêbados da noite, em carros de todo o tipo. Ou nas calçadas. Mas as bêbadas são piores, com suas vozes finas, gritantes e lamuriantes.

Nos céus, aviões, jatinhos e helicópteros. Quase Jetsons, não fossem os balões pipocantes que de vez em quando um ser irresponsável solta por aí. Uóóóómmm. As sirenas das ambulâncias, dos policiais, dos bombeiros, do resgate. E dos idiotas que agora inventaram e usam uma corneta com esse som.

São Paulo: seus parques e praças são poucos. Suas áreas de risco, muitas. Sua periferia, cinza. Suas favelas, até isso, sem graça, sem samba, sem cor.

Mas aqui tem para todo o mundo. Para ateus, agnósticos e etcs. E todas as religiões. Dos rabichos dos Hare Khrishnas, aos dreads dos rastas. Os cachinhos dos judeus ortodoxos, com seus chapelões de pelo. As sandálias dos franciscanos. Os pesados hábitos das carmelitas. O moderno dos Padres Rossi e amigos. As saias "colunas" das evangélicas tradicionais e os terninhos dos pastores. As cabeças cobertas das muçulmanas. Centros de cabala, Kaballah, centros de espiritismo. Mesa branca, umbanda, candomblé, magias de todo o tipo. Até feiras de cartomantes há! Aqui até fachada de templo evangélico gigante parece fachada de centro gay, toda em arco-íris. Verdade!

Ciganas lêem suas mãos. Malabaristas passam bolas de cristal pelos braços. Comem fogo e espadas. Jogam Três Marias para cima. Os meninos pobres tentam fazer o mesmo. Ou pegam rodinhos e paninhos sujos para limpar o seu pára-brisa.

Aqui em São Paulo tem rua de tudo. De madeira, noivas, móveis, decoração, roupas, panelas, ferragens de porta, de equipamentos musicais. Agora há também ruas, muitas, tomadas por hordas de viciados em crack. E os nomes das suas ruas, São Paulo, nem conto! Queria morar na Rua das Estrelas Fugazes, se houver.

A noite de São Paulo pode ser paga. Ou gratuita, se for só para olhar. Suas manhãs são agitadas. Tem quem vem de longe. Tem quem vá para longe. Ida e volta. Diariamente.

Agora, mas só agora - não acontecia isso antes, acredite - vemos gente de shorts e chinelos nas ruas. Mas ainda não vemos as mulheres de biquíni nas praças que tem quem queira, não queira, não goste. Não possa. Ah! As avenidas são como rios cortantes para se transpor. Às vezes a nado. Rezando, os pedestres. Represas, rios e riachos. Córregos borbulhantes e vazantes. Efervescentes, na cidade, tais quais toda sua gente: contorcionistas, voyeurs e exibicionistas, antropofágicos, simpatizantes até de tudo muito aquilo para o lado direito.

A arte está nas ruas, em grafites, adesivos, carimbos. Em cada um por todos. Todos por um. Além de igrejas, templos e bibocas, há restaurantes para todos os gostos e nacionalidades, desejos, gostos, bolsos. Agora até em motos nas ruas, comida. Em São Paulo, cachorro-frito já acharam, com gato no churrasco, cavalos no aperitivo. Aqui se vende bem caro até espuma, novidade gastronômica. Chame diferente: iogurte vira frozen; molhos viram nomes extraordinários.

São Paulo fala todas as línguas, sotaques, dialetos, gírias. Com r, s, ou estalados nos dentes, no céu da boca. O rrrrr comprido dos caipiras, que aqui habitam e mantêm o clima, o charme do sotaque, "sutaque", uai, tchê, guri, guria, painho, mainha. Óxente, cabra da peste!

24 horas aqui tem pães, sexo, sex-shop, pet-shop, materiais de construção, mercados até hiper, massas e carnes, sopas e álcool, nos postos, convenientes, junto com a gasolina. São Paulo, frenética, violenta, caridosa, e ruidosa. Esburacada e recapeada. Antiga e antigamente, caindo aos pedaços, indo ao chão e erguendo-se, do nada, inteligentes e inacessíveis. Arranha o céu!

Além de especialidades médicas, doenças e males estranhos. Antenas, muitas. E antenados. Interferências, todas, e gente desplugada, perdida, michêse michados. Apagões aqui e ali. Até de inteligência. Rua que é estrada, avenida que é rua.

Aqui tem festa suingueira, festa fechada, festa aberta. Fetiches, Sado e Masô. E ainda os sertanejos dos fuscas tunados. Há os meninos e as meninas, em seus clubes dos bolinhas e luluzinhas. No Arouche tem footing gay nas tardes de domingo. Na Augusta em que nasci e vivi, tem todo dia, toda hora. Augusta dos 60, dos 70, dos 80, dos 90, dos cem em diante. 120 por hora.

São Paulo: sua bandeira e a do Brasil tremulam orgulhosas. Você é preta, vermelha, branca. E verde e amarela. Aqui se vê de tudo e se faz muito pouco do que dá. Cada vila, bairro, uma cidade, uma ciranda. Milhões de histórias para contar. Feliz Aniversário, minha véia!"

Respondi assim para ela:

Ótimo texto, muito bem escrito. Mas continuo achando SP inviável e com um futuro desanimador. Não cabe mais tanta gente e carros, e mesmo assim seguem crescendo as pessoas e os automóveis da cidade que não pode parar, mas para cada vez mais. Sem falar das pequenas e grandes desgraças que qualquer chuva normal de verão traz...

Agora te pergunto: né não?