5.9.08

NORMOSE (Martha Medeiros)

Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal.

Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito 'normal' é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se 'normaliza' acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não-enquadramento.

A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha 'presença' através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar? Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta.

Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu 'normal' e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante.

O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais. Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.

Fonte: Jornal "Zero Hora" nº 15323 (5/8/2007), caderno "Donna".

7.8.08

OLHA O QUE EU VEJO!

Fazia tempo que não vinha com post pessoal sobre minha dileta pessoa, mas como este é o post número 51 deste Nãotevejeito, acho que é uma boa idéia...

Desde o dia 19 estou morando num ap no nipo-brasileiro bairro da Liberdade, com estas imagens do centro e arredores de SP:

Da sacada do ap (21º andar), para baixo: Praça Liberdade



Da sacada, para esquerda: Radial Leste, antenas da região da Av. Paulista

Da sacada, para direita: 23 de Maio, Brig. L. Antonio, Terminal Bandeira*

Do corredor do 22º andar, para direita: Radial rumo à Zona Leste


Do corredor do 22º, para esquerda: fundos da Igreja da Sé e prédio do Banespa

*caminho diariamente cerca de 15 minutos para o Terminal Bandeira, onde pego ônibus para o trabalho. Falando em trampo, desde o dia 4 até 31 do 8 estarei non-stop em função da Olimpíada, que DEVE ser acompanhada aqui: http://ultimosegundo.ig.com.br/olimpiada
(meus leitores devem ser fiéis ao meu site!)

25.7.08


PIADA PRONTA


Olha essa 'maldade' palmeirense contra o Corinthians:
http://relogio.corinthiansnasegunda.com/


Detalhe que os times agora só se enfrentarão em 2009, o que garantirá muitos dias nessa contagem... Mas não deixa de ser comédia!



Bruno Pessa também aceita tirações de sarro de corintianos, para o bem do bom-humor pacífico no futebol

14.7.08

COISA DE MALUCO? NÃO, DE CHINÊS...



Veja neste vídeo aqui alguns hábitos bem estranhos do povo da terra da Olimpíada...

(para ver outros vídeos sobre curiosidades da China, clique novamente no link acima, vá em Menu - Esportes - Olimpíada 2008, aí é só clicar nas janelinhas)


Bruno Pessa já está entrando no clima dos xing-lings, afinal agosto está quase aí

6.7.08

PROTAGONIZE SUA VIDA - Leandro Cruz (o poema é dele, não é meu!)

Quão humano você ainda é?
Você se orgulha do que você faz?
Você é o que queria ser quando crescesse?
Seus dias são as realizações de seus grandes sonhos?
Você já teve a sensação de viver o mesmo dia várias vezes?
Você não tem vergonha interna de sorrir para o patrão que você queria trucidar?

A felicidade não cabe numa cesta básica.
A felicidade não cabe numa bolsa Gucci.
A felicidade não pode esperar na fila do banco.
A felicidade não pode esperar até as eleições.

Quão envergonhado e triste a criança que você foi
Se sentiria ao ver como você vive seus dias?
Um após o outro.
Automático.
Anônimo.
Patético.

Quem busca apenas a estabilidade
Vê a vida como mera fatalidade
Tem um trabalho sem prazer
Come pra viver e vive pra comer

Onde foi parar nossa emoção de caçar Mamutes?
Era tão divertido enfiar nossa lança no bucho dos tigres
Há quanto tempo não somos humanos?
Há quanto tempo somos robôs? autômatos

Os humanos podem morrer cedo
Mas os autômatos jamais vivem,
Até chegam aos 80 anos
se não correrem riscos e ficarem muito ricos
Mas de que vale ficar velho sem correr riscos?
É como passar o dia todo no parque com medo,
Sem coragem de entrar em nenhum brinquedo

Sua vida pode ser mais do que isso
Você ainda é capaz de dizer “eu te amo”
Você ainda é capaz de dizer “vá à merda”
A maior dor que alguém pode sentir é pensar:
“Eu devia ter dito”, “eu devia ter feito”

Dê uma virada na sua vida
Recomece do zero, invente uma missão
Protagonize sua História, peça demissão
Peça seu grande amor em casamento
Ainda que ela esteja com outro, no altar, neste exato momento
Corra, ainda dá tempo! Ou remoa para sempre esse tormento

Bruno Pessa está aberto a manifestações amigatícias, sobretudo as coerentes com seu modo de ver o mundo

24.6.08




"CHUCK NORRIS tentou jogar futebol com JANCO TIANNO uma vez. Depois, decidiu virar ator."
Nos videogames/jogos de PC, prefiro os de corrida. Mas lembro bem do precursor do Winning Eleven, o Fifa International Soccer. No ataque da seleção brasileira, JANCO TIANNO e Rico Salamar!
Não sabe quem foi JANCO TIANNO??


Clicai aqui e gargalhai!

11.6.08


ONDE VOCÊ ESTAVA NA ÚLTIMA NOITE DE SÁBADO?

13.5.08

PÍLULAS

* (NÃO-)PAULISTANO

Não levanto cedo
Não tomo café correndo ou na rua
Não pego condução abarrotada
Não ando de crachá no pescoço
Não almoço em restaurante sempre, nem acompanhado
Não sou mensalista de estacionamento
Não enfrento o trânsito das 18h
Não faço happy hour no fim do dia
Não tomo uma no começo da noite
Mas trabalho, estudo, me movimento
E São Paulo tem espaço pra mim


* I-POD À BRASILEIRA:


*COMO ESTOU LEVE! Outro dia doei roupas de vestuário e de cama, que estavam sobrando e ocupando espaço no guarda-roupa, para aqueles que pouco têm. E tem leveza melhor?

5.5.08

CHAVES PROFUNDO!

Um madruga em cada esquina - Por Rafael Pereira de Menezes (14/02/2002)

Há cerca de 20 anos atrás, em um país distante chamado México, existia uma pequena vila suburbana, habitada por tipos igualmente suburbanos. Eram pessoas comuns: Viúvas, desempregados, crianças, professores... Também há cerca de 20 anos, um pouco menos do que isso talvez, uma recém fundada emissora de TV brasileira adquire um despretensioso seriado produzido no México, retratando justamente a vida das pessoas descritas no parágrafo acima. Para quem não percebeu, estou falando do Chaves, ele mesmo, o garoto que vive dentro de um barril.

Nasci em 1982, portanto minha infância foi muito marcada por esta série. Me lembro que ela era transmitida em horário nobre, às 20h. Minha mãe sempre me obrigava a ir dormir após o Chaves. Era um momento bastante esperado pra mim, que ficava torcendo pro episódio não terminar, assim eu poderia ficar acordado até mais tarde.

O tempo passou, aquele canal de TV cresceu e hoje é um dos maiores do país, investe milhões em artistas, em filmes e em programas. Porém aquela série permanece no ar, diariamente. Bom, tem gente que detesta, tem gente que adora, mas é impossível negar. Todos nós já passamos algumas horas em nossas vidas assistindo o programa dos personagens criados por Roberto Bolaños. O que intriga a muitos é como o programa consegue se manter no ar por todos estes anos? Como uma série que possui tão poucos recursos técnicos consegue cativar crianças e adultos em plena era do computador, dos desenhos feitos em animação gráfica?

NÃO POR ACASO
Sempre me questionei a respeito disso sem nunca ter conseguido chegar a uma resposta. Até que um dia, por acaso, zapeando os canais de TV à tarde, acabei vendo uma entrevista de Bolanõs. Uma frase dele que me chamou muito a atenção foi a seguinte: "o Chaves faz sucesso em qualquer lugar do mundo onde existe fome". Realmente, sua série é bem sucedida em toda a América Latina, do México à Argentina. Pude comprovar pessoalmente isto quando estive no Chile, em 1999. Todos os latinos conheciam os personagens e os capítulos, assim como no Brasil. Já os europeus e norte-americanos nunca tinham sequer ouvido falar. Comecei a ver algum sentido na afirmação de Bolaños.

Aquela vila despretensiosa é um microcosmo que contém a sociedade latino americana. É uma grande caricatura de nós mesmos. Pode parecer estranho este comentário. Mas uma observação mais atenta sobre os personagens demonstra isso claramente.

Um homem que vive endividado, que tenta várias profissões diferentes durante um curto espaço de tempo, sem nunca atingir êxito em qualquer delas, mas que mesmo assim nunca para de procurar outra atividade para manter a si próprio e a sua filha única. Passa a maior parte de sua vida desempregado ou sub-empregado, o que transmite a um observador menos atento uma imagem de preguiçoso, de vagabundo. É assim taxado por todos aqueles que ocupem uma classe social mais alta do que a dele, como por exemplo, seu senhorio. Quantos 'madrugas' não estão por aí, nas bancas de camelô dos centros das grandes cidades brasileiras? Vivendo de aluguel e sendo despejados de casas pequenas na periferia? Estariam eles também nas invasões de terrenos públicos? Nas favelas, talvez?

Sua vizinha é uma viúva que vive de pensão, símbolo de uma classe média cada vez mais oprimida e decadente, mas que mesmo assim luta com todas as forças para manter o que resta de sua posição social (apesar de viver em um cortiço). Tenta de todas as formas manter um padrão de vida que já não condiz com sua realidade. É obrigada a viver em um bairro afastado, cercada de pessoas de nível cultural inferior, o que a incomoda, e ao mesmo tempo a eleva. Neste local ela pode ser superior. Pode olhar todos os seus vizinhos de cima. Não por acaso, ela se aproxima da única pessoa na história que possui um nível de cultura um pouco mais elevado, ou seja, o professor de seu filho, um garoto robusto e mimado, que por isso é sempre passado pra trás pelas outras crianças, mais pobres e, talvez por isso, mais espertas, uma vez que não tiveram tanto mimo, tanto zelo por parte de seus pais.

Na casa ao lado vive uma senhora de idade não tão avançada, mas que é claramente discriminada por todos os habitantes do local por isso. Vive sozinha, dependendo de sua aposentadoria pra viver. O dinheiro, embora escasso, é suficiente, uma vez que ela vive sozinha. Uma pessoa em seus 60 anos sendo considerada idosa, não seria reflexo de uma baixa expectativa de vida? Qual será a média de vida da imensa maioria de madrugas de nosso país? E por que ela é sozinha? Será que alguém olha pra ela? As visitas do carteiro nunca trazem nada para tal senhora. Ela cita alguns parentes distantes, que porém, jamais aparecem. Eles não se importam. O idoso é visto como um peso, alguém que dá trabalho e não trás retorno, logo é isolado em sua pequena casa, ou em um asilo, ou em seu quarto. Apenas ela e suas lembranças entram naquela casa.

SI, EL CHAVO
Chego finalmente ao personagem central da história. Um garoto que diz ter família, mas que ninguém a conhece. Que diz ter um nome, mas que ninguém sabe qual é. Ele vive no mesmo ambiente destas pessoas, brinca no pátio e vai a escola, porém sempre sozinho. Não tem o que vestir, enquanto as crianças próximas a ele estão sempre bem vestidas. Todos demonstram pena pela criatura, e engolem seco cada vez em que ele manifesta sua fome, suas necessidades, sua carência afetiva. Porém nada de concreto é feito para mudar sua condição, talvez um sanduíche de presunto hoje, um sapado usado e velho amanhã. Isso basta para manter as consciências suburbanas tranqüilas e satisfeitas, com uma caridade vazia que mantém uma criança vivendo dentro de um barril.

Este barril poderia ser uma marquise? Um viaduto? Quantas crianças vivem nas ruas de nosso próprio bairro e nada fazemos para ajudar? Damos um trocado aqui, um sanduíche aqui. As vezes até juntamos tudo o que não queremos, colocamos em um saco de supermercado e descemos de nossos apartamentos para fazer a caridade. Restos, apenas restos. De comida, de roupa, de afeição. O garoto continua lá, faminto e sozinho. Irá crescer e ser repreendido caso vier a contrariar as regras da sociedade em que cresceu a margem. Ou pior, no caso de suspeita, será o culpado. Não pretendia citar episódios da série nesta parte do texto, mas não posso deixar de citar o episódio do ladrão que aparece na vila. Todos, sem exceção, o acusam de ladrão. Sempre afirmaram que tinham pena e até chegavam a gostar do pobre coitado, porém na primeira oportunidade ele foi julgado e condenado. Era inocente e todos pediram desculpas. Mas tais desculpas aparecem na vida real? Acho que não.

Realmente, meus colegas europeus jamais entenderiam este contexto, logo jamais ririam disto. Que sorte a deles. A auto-ironia sempre tem um efeito devastador sobre todos. Não existe nada mais fácil do que rir de si mesmo refletido no outro. Não existe nada mais fácil do que julgar e condenar alguém que se encontra um pouco abaixo de você.

Então desempregado e vagabundo se confundem, a velha é velha, o rico é rico (mais um detalhe, os ricos da série são gordos, teria isso algo a ver com abundância? Será por isso que todos os outros são magros?), ele não se mistura, apenas aparece para cobrar aluguéis (contas, mensalidades, prestações) e a criança abandonada permanece abandonada. Aliás, todos permanecem abandonados à própria sorte em seus pequenos problemas, aparentemente sem solução, tentando se adaptar inutilmente à esta dura realidade.

Claro, isso são coisas que só se percebem com o tempo. Uma criança não entende tais coisas ao assistir "Chaves". Os adultos riem um riso solto, "esses problemas não são apenas meus" pensam, mesmo que inconscientemente. E acham tudo aquilo engraçado. Aquilo tudo lhes diz respeito e faz muito sentido. Aquele é o seu próprio mundo e a sua própria comédia. Infelizmente.

Bruno Pessa sempre concede a palavra quando alguém fala bonito e nos faz pensar sobre temas de relevância cômico-social

28.4.08

O QUE REALMENTE IMPORTA?

Não vejo a hora do "caso Isabela Nardoni" deixar a minha TV, pois todos os dias me enoja tanto a postura da mídia sanguessuga quanto a dos populares-curiosos-desocupados que não desgrudam dessa novela. Em vez de deixarem a polícia e a justiça cuidarem de um crime de interesse meramente privado, envolvendo pessoas que não têm nada a ver comigo nem com vc, e se preocuparem com assuntos que realmente nos dizem respeito, a mídia fica sensacionalizando o fato, aumentando o clima de comoção e a irracionalidade de quem acha válido apedrejar os acusados.

Não me acuse de insensível; se os acusados fossem seus familiares ou amigos, vc acharia normal que eles pudessem ser linchados ao colocar o rosto na rua, não bastando o fato de já estarem eternamente condenados? É plausível pessoas viajarem horas e ficarem em frente a um prédio por outras horas, só pra ter seu cartaz exposto à mídia e gritar impropérios quando seus alvos aparecerem? Ah, elas precisam demonstrar sua indignação?? Teriam elas alguma vez ido à uma sessão da Câmara Municipal - onde não deve faltar motivos para revolta - para cobrar seus vereadores, por exemplo???

Isso não é coisa só da minha cabeça. Olha só o que li quando estudava na biblioteca da PUC-SP hoje de tarde:

"Na sociedade do espetáculo, em que o espaço da política é substituído pela visibilidade instantânea do show e da publicidade, a fama torna-se mais importante do que a cidadania; além disso, a exibição produz mais efeitos sobre o laço social do que a participação ativa dos sujeitos nos assuntos da cidade/sociedade, ou do que a produção de novos discursos capazes de simbolizar o real. À aparente desimportância dos assuntos de interesse público, corresponde um excesso de 'publicidade' e de interesse a respeito dos detalhes mais insignificantes, ou mais constrangedores, da vida privada"

(VISIBILIDADE E ESPETÁCULO, artigo de Maria Rita Kehl, página 143 do livro "VIDEOLOGIAS", organizado por Kehl e Eugênio Bucci, Editora Boitempo, 2004)

Sociedade do espetáculo: falou e disse!

21.4.08

TÃO BOAS QUANTO ELES!

Ainda resta machismo em muitos campos das relações sociais, infelizmente, mas no esporte elas estão cada vez mais ganhando o espaço que já foi exclusivo deles, graças à determinação de quem não desiste diante das dificuldades. (digitei d's demais, de acordo?)

Neste fim de semana, dois exemplos cabais. No sábado a seleção feminina de futebol voltou a encher os olhos dos marmanjos acostumados a ver os homens nos gramados do mundo, despertando um suspiro que já não é novidade: "Como eu queria a Marta no meu time..." (clique aqui para ver como foi)

Dumingu foi a vez de uma piloto (isso mesmo...) vencer pela primeira vez na Fórmula Indy. Danica Patrick fez história num meio tão ou mais masculino quanto Marta, merecendo todos os louros (ou morenos, o que preferir...) pelo feito. (clique aqui para ver como foi)

Da próxima vez que vc ouvir a baboseira "isso não é coisa pra mulher", lembre-se de Marta e Danica...

16.4.08

PROTESTOS OLÍMPICOS 2008

Nenhum itinerário de tocha olímpica foi tão conturbado, pelo qu'eu me lembre, quanto este da chama dos Jogos de Pequim. Simpatizantes à causa dos direitos humanos protestam contra o tratamento dado pela China ao Tibete e líderes mundiais ameaçam boicotar a abertura da festa do esporte, em agosto.

É por aí mesmo. Penso que culturas, tradições e costumes devem ser respeitados - a diversidade faz parte do planeta -, mas há valores universais que em hipótese alguma podem ser desobservados, como a liberdade de ação e expressão e os direitos humanos, de uma forma geral, para mulheres e homens.

Nenhum regime político ou tradição religiosa é aceitável quando passa por cima desses valores. Não na minha cabeça.


Bruno Pessa acompanha diariamente as notícias olímpicas nesse site.

31.3.08

QUERIDOS AMIGOS” FOI a minissérie que acabou semana passada na Globo. Acompanhei sempre que podia porque ela mergulhou na história recente do país, falando do fim da ditadura, anistia e o que aconteceu com membros da militância política dessa fase no fim dos anos 80. Mas não foi isso que mais me prendeu.

A trama girou em torno de Leo, um dos 'amigos', que, sentindo a iminência da morte por causa de uma doença, resolve reestabelecer as amizades que o tempo separou, e faz de tudo para demonstrar seu afeto por eles gratuitamente, com a única preocupação de aproveitar ao máximo a vida que lhe resta. Louvável!

As aparições de Leo antes da morte são mágicas (não somente porque ele faz mágicas...) e é difícil não se emocionar com a voz de Milton Nascimento em “Canção da América”, que acaba me lembrando um tal de Ayrton Senna da Silva... O fim da história sugere que os amigos, presentes de branco no seu enterro (quero isso no meu, nada de preto, é momento de alegria porque o morto estará mais perto de Deus!), são agora definitivamente amigos. Ou seja, missão cumprida.

Agora pensa comigo: faz sentido demonstrar tanto carinho pelas pessoas amadas, com total desprendimento (nada de aniversário, Natal, Ano-Novo, Dia de São Valentim etc), somente pela certeza de que a separação está próxima? E quem garante que ela virá somente na velhice, para nós seres saudáveis?

Eu tô certo que não devemos esperar, e simplesmente os fatos de estarmos vivos e sermos amigos justificam que tenhamos gestos de afeto e momentos de celebração. Você não acha?

24.3.08

GOSTEI DESTA REFLEXÃO, por isso partilho-a contigo!

"Os quatro fantasmas" - Martha Medeiros

Me deparei com as quatro principais questões que assombram as nossas vidas e que determinam nossa sanidade mental. São elas:

1) Sabemos que vamos morrer.
2) Somos livres para viver como desejamos.
3) Nossa solidão é intrínseca.
4) A vida não tem sentido.

Basicamente, isso. Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com a nossa finitude, com a nossa liberdade, com a nossa solidão e com a gratuidade da vida. Sábio é aquele que, diante dessas quatro verdades, não se desespera.

Realmente, não são questões fáceis. A consciência de que vamos morrer talvez seja a mais desestabilizadora, mas costumamos pensar nisso apenas quando há uma ameaça concreta: o diagnóstico de uma doença ou o avanço da idade. As outras perturbações são mais corriqueiras.

Somos livres para escolher o que fazer das nossas vidas e isso é amedrontador, pois coloca a responsabilidade em nossas mãos. A solidão assusta, mas sabemos que há como viver com ela: basta que a gente dê conteúdo à nossa existência, que tenhamos uma vontade incessante de aprender, de saber, de se autoconhecer.

Quanto à gratuidade da vida, alguns resolvem com religião, outros com bom humor e humildade. O que estamos fazendo aqui? Estamos todos de passagem. Portanto, não aborreça os outros nem a si próprio, trate de fazer o bem e de se divertir, que já é um grande projeto pessoal.

Volto a destacar: bom humor e humildade são essenciais para ficarmos em paz. Os arrogantes são os que menos conseguem conviver com a finitude, com a liberdade, com a solidão e com a falta de sentido da vida. Eles se julgam imortais, eles querem ditar as regras para os outros, eles recusam o silêncio e não vivem sem aplausos e holofotes, dos quais são patéticos dependentes. A arrogância e a falta de humor conduzem muita gente a um sofrimento que poderia ser bastante minimizado: bastaria que eles tivessem mais tolerância diante das incertezas.

Tudo é incerto, a começar pelo dia e a hora da nossa morte. Incerto é o nosso destino, pois, por mais que façamos escolhas, elas só se mostrarão acertadas ou desastrosas lá adiante, na hora do balanço final. Incertos são os nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando só. Enfim, incerta é a vida e tudo o que ela comporta. Somos aprendizes, somos novatos, mas beneficiários de uma dádiva: nascemos. Tivemos a chance de existir. De se relacionar. De fazer tentativas. O sentido disso tudo? Fazer parte. Simplesmente fazer parte.

Muitos têm uma dificuldade tremenda em aceitar essa transitoriedade. Por isso a psicoterapia é tão benéfica. Ela estende a mão e ajuda a domar o nosso medo. Só convivendo amigavelmente com esses quatro fantasmas - finitude, liberdade, solidão e falta de sentido da vida - é que conseguiremos atravessar os dias de forma mais alegre e desassombrada.

17.3.08

NO FUTEBOL VALE quase tudo na hora de empurrar a pelota pro gol. Só não vale braço e mão.

Pois foi isso que fez o camisa 9 do SANTOS FC, Kléber Pereira, contra o São Caetano, pelo Paulistão, ontem. Do jeito que a redonda veio, ele cutucou. Como as imagens mostram, ele usou adequadamente seu "instrumento", tanto que depois disse algo tipo "não posso falar com o quê fiz o gol, é um nome forte... o que importa é que ela entrou". (clique aqui pra conferir!)

Agora imagine se quem faz um gol como esse é o Sebastián Pinto*!!

Bruno Pessa não tinha time para torcer no Estado de São Paulo até seu pai levar o garoto pra arquibancada da Vila Belmiro

*camisa 8 do alvinegro praiano supracitado

10.3.08

IMAGINE QUE VC ADORA se refrescar e nadar numa PISCINA. Só que:

1. Vc vê três PISCINAS diariamente toda vez que vai à janela do quarto. Mas são do prédio vizinho.

2. Na academia que vc freqüenta cinco vezes por semana, tem uma baita PISCINA. Mas como seu plano não inclui aulas na PISCINA, não pode sequer encostar o pé.

3. Vc tem uma puta duma PISCINA disponível na família. Mas ela está mais de 300 km distante.

4. Vc não é sócio de nenhum clube que tenha PISCINA (e que não tenha também).

5. Se morasse em casa ou apê com quintal, poderia comprar uma PISCINA de 1000 litros. Mas vc mora em apê. Sem quintal.

6. Vc não consegue lembrar de um amigo ou conhecido que possa te oferecer um banho de PISCINA assim do nada. Mesmo que fosse pra se convidar na cara dura.

7. Sempre que olha pros vigiados do BBB, vc se dá conta de que eles podem entrar numa bela PISCINA dia sim, outro também. E fazem isso. Mesmo que seja apenas pra comemorar o líder da semana.

8. Por fim, vc tá vivendo mó calorzão há meses (Brasil, né?), um bocado de dias ensolarados (até mesmo em SP), transpira bastante com exercícios físicos e tudo isso, junto ou separado, te traz sempre uma palavra: PISCINA.

Agora vc me entende?

- PISCINAAAA!


Não sou eu. Mas bem que poderia


Bruno Pessa ouviu dizer que existe uma tal de Lei da Atração e, curioso que só, quer saber se funciona mesmo

8.3.08

ACONTECEU HOJE

Balança busão, balança café
Escapa da mão, e cai no meu pé

27.2.08

LEITURAS REVOLUCIONÁRIAS são possíveis com os textos-obras-primas da repórter Eliane Brum, da revista Época. Dois exemplos cabais:

"O inimigo sou eu" (10 dias num retiro de meditação = puta lição de vida) - clique aqui

"Suicidio.com" (jovem gaúcho comete suicídio com ajuda de internautas) - clique aqui

Em breve neste bológue, discussão sobre (falta de) suicídio na mídia!


Bruno Pessa não confunde discussão de suicídio (isso é permitido) com incitação ao suicídio (isso é crime)

17.2.08

O TEMA É O TROTE, esse que os veteranos universitários aplicam nos calouros/bixos.

Nessa época de início de aulas, o tema é recorrente na mídia, que quase sempre explora e alerta sobre os exageros ligados à violência e consumo de álcool e drogas do ritual.

Pra mim não importa se a mídia exagera. Só acho que humilhar e obrigar qualquer pessoa a beber e fumar é criminoso, tanto pelo risco à saúde quanto à dignidade da vítima. Ou seja, injustificável.

Já fui bixo, fui veterano e sempre achei bacana a brincadeira do trote pra vc conhecer a galera do seu curso, se integrar, colecionar momentos divertidos e fazer amigos. Desde que seja de leve, só pra zoar mesmo, tirar uma onda, dar risada e, principalmente, brincar com os que estão dispostos a brincar.

O bixo não quer entrar? Não participa, sem represália. Não quer beber? Fica na sua. Se os veteranos forem legais, azar do bixo que se isolar. Mas se eles querem extrapolar os limites do aceitável, que respeitem os que se respeitam como seres humanos.

E se não estiverem nem aí e agirem como criminosos? Manda pra delegacia, não é lá o lugar dos que cometem crimes?

Bruno Pessa nunca ficou bêbado, não suporta cigarro e prefere que as coisas continuem assim

P.S.: Veja no que pode acabar um trote alcoólico clicando aqui.

1.2.08

POBRES SACOS PLÁSTICOS DOS POBRES

Seguindo a linha do discurso ecologicamente consciente-correto, uma pá de gente anda metendo o pau nos saquinhos plásticos que o comércio nos fornece quando vamos às compras, pela degradação ambiental que eles causam após seu desuso. De fato, há uma penca de sacos acumulados no nosso dia-a-dia!

Mas sem eles, temos um problema. Não falo de termos que adotar uma sacola padrão para levarmos às compras, reutilizando-a ad infinitum. Sem os saquinhos, como vamos "vestir" as lixeirinhas da cozinha e dos banheiros de casa? Como vamos levar lanche/marmita pra escola/trabalho? Como vamos evitar que o guarda-chuva molhe a bolsa? Como vamos separar a roupa suja do resto da bagagem em situações de dormir fora?

Ah, existem sacos especializados pra lixo à venda, eu sei. Mas não chegam em casa de graça né... Conclusão: azar dos que levam lanche e guarda-chuva na bolsa, que vão ter de incluir um novo item nas despesas. Pobre só se ferra mesmo... E os anos de amizade com os sacos plásticos, quebra-galhos tão úteis? Vão pro lixo? Não, vai acabar poluindo o ambiente...


Bruno Pessa gosta de sinônimos coloquiais, tipo "uma pá, uma penca = um monte, no sentido de muuito", além de latinidades como "ad infinitum = para sempre"

28.12.07

SOBRE FINS DE ANOS

Parece piegas ou infantil, mas ainda me encantam as luzes natalinas que ornamentam prédios, casas e árvores entre novembro e janeiro. Desde criança. É como se a emoção do Natal como tempo mágico da infância continuasse a se manifestar, mesmo depois de a "criança" já saber que existe não aquele Papai Noel, mas essa onda consumista desesperada de todo fim de ano.

Então porque a fantasia persiste? Pelo mesmo motivo que acreditamos, uns mais outros menos, que a partir de 1 de janeiro vamos realizar tudo que quisermos e a vida vai melhorar. Porque precisamos, de tempos em tempos, renovar esperanças e crer que tudo vai dar pé. Se não tivermos essa perspectiva, porque seguir em frente?

Bruno Pessa ainda envia cartões de natal pelo correio e deve ter escrito esse texto em novembro, numa folha de rascunho, quando notou luzes natalinas nos prédios de SP

18.12.07


É ASSIM QUE SE FAZ "JUSTIÇA SOCIAL" NESSE PAÍS...

(a notícia q vc lê aki não é fresca, mas quando a editei lembrei que a cena segue se repetindo, ainda mais em SP)

6.12.07

NOTA ZERO!

- O q t revolta + : ser assaltado em menos de 10 segundos ou esperar 3 horas pra fazer um B.O.? Bom, pelo menos o assaltante foi objetivo, direto ao ponto, e não me deixou dores no corpo...

NOTA DEZ!

- Sabia q os CORREIOS (ah, os correios!) te dão a chance de ser PAPAI NOEL das pessoas humildes que pedem brinquedos e outros presentes, por meio das cartas que elas escrevem nessa época? Basta ir a uma das agências, que oferecem uma seção com as inúmeras cartas recebidas, e selecionar a(s) que quiser "adotar". Se vc comprar o presente e levar aos correios até o fim da semana que vem, eles entregam gratuitamente à pessoa. Se deixar para mais perto do dia 25, vc mesmo entrega, pessoalmente ou via correio, pagando.

Uma atitude como essa não resolve a pobreza de ninguém, mas nos torna mais humanos e leva um pouco de alegria ao coração de quem quase não tem motivos pra rir. Experimente, propague e partilhe comigo essa sensação formidável!

22.11.07

APAREÇA!

Dia 28, quarta agora, tem o lançamento do livro "Jornalistas Literários: Narrativas da Vida Real por Novos Autores Brasileiros" (Ed. Summus), organizado por Sérgio Vilas Boas, com a humilde presença deste que escreve como co-autor!

Será na Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509), das 19 às 22h, com muita probabilidade de rolar uma esticada pra comer/beber mais... (pra mim, comer vem sempre na frente!)

Quem puder/quiser ir, dá um toque aê, blz?

14.11.07

QUEM NUNCA SONHOU QUE ESTAVA PELADO EM PÚBLICO?

Nenhum sonho é 100% realista, claro, mas esse é curioso e surpreendentemente recorrente: de repente vc se descobre pelado no seu sonho, sem saber como ficou "nesse estado" e porque, de uma hora para outra (e não desde o começo), sente vergonha dos que o vêem assim!

Eu já sonhei, sei de amigos que sonharam e só o Orkut conhece mais de mil pessoas que também sonharam. Um dos moderadores de uma das comunidades orkúticas falou do assunto:

"desde pekeno eu tinha esses sonhos,mas depois q cresci fiquei um bom tempo sem te-los..um belo dia tive novamente e resolvi fazer a comunidade. eu ja sabia q varios amigos meus ja haviam tido esse sonho, mas n esperava q a comunidade crescesse dessa maneira.

o motivo de acontecer com tanta gente eu nao sei...dizem q eh insegurança,acho q por termos esses sonhos com +frequencia qndo somos +jovens, deve ter algo relacionado com o medo da criança de ficar pelada em publico,principalmente no colegio onde so tem pessoas conhecidas q te veem todo dia.

po meus sonhos pelados sempre foram mto rapidos,n lembro direito deles+em geral eu ia p/colegio como se fosse um dia normal,e reparava q todos me olhavam e depois ficava constrangido pois percebia q tava pelado..."

Como foi com vc??

8.11.07

RIMA DO DIA
Aproveita, só quem tem
o produto é o "shopping do trem",
enquanto us guarda num vêm!



MOMENTO "EH PHODA VÉI"

Como se já não bastasse a Uninove (que é sempre dez) movimentar milhares de estudantes BEM NO MEU CAMINHO para a Barra Funda, ela acaba de levantar outro PUTA DUM PREDIÃO ali nos arredores, a 500m do primeiro. EITA TROÇO que dá dinheiro nesse país: administrar faculdade particular!

Tá certo que, se não fosse essa disseminação, muita gente não teria como chegar ao ensino superior, mas se a questão é difundir o acesso à formação, por que não potencializar o ensino público em todos os níveis?

VC ACHA CERTO Q A EDUCAÇÃO SEJA UMA MERCADORIA??

(só pra não esquecer velhas bandeiras: CONTRA A SHOPPINIZAÇÃO DO ENSINO!! ABAIXO À ESCADA ROLANTE!)

24.10.07

SEJA UM IDIOTA (não importa se é mesmo do Jabor, atenha-se à mensagem)

A idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!

Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha!...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda!

Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.

Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios... Por isso, cante, ria, dance, chore e viva intensamente cada momento de sua vida, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos..."

Arnaldo Jabor

9.10.07


O FUTEBOL É ATRAENTE POR CAUSA DISSO: mais do que noutros esportes, o surpreendente e o imponderável se manifestam, a matemática e a lógica falham e a única justiça é a lei do gol válido: quem marca mais vence quem marca menos, mesmo que "jogue menos", como foi nesse São Paulo 0 x 1 Corinthians e em tantos outros jogos. E é por essas e outras que O FUTEBOL É UM TROÇO LOKO DIMAI!

24.9.07

REFLEXÕES SOBRE O RAULZITO E A SOCIEDADE ALTERNATIVA
Celso Lungaretti

No início dos anos 80, quando trabalhava em revistas de música, tive uma breve amizade com o Raul Seixas. O que nos aproximou foi termos ambos 1968 como referencial maior de nossas existências. Músicas tipo "Metamorfose Ambulante", "Cachorro Urubu" e "Sociedade Alternativa" lavavam minha alma, num momento em que a velha esquerda autoritária e rabugenta se reconstruía, passando como um rolo compressor sobre os sonhos da "geração das flores".

De papos sóbrios e etílicos que tive então com o Raulzito, posso dizer que o lance da sociedade alternativa era, basicamente, o de agruparmos as pessoas com boa cabeça em comunidades que estivessem, ao mesmo tempo, dentro do sistema (fisicamente) e fora dele (espiritualmente).

Essas comunidades existiram no Brasil, de 1968 até meados da década seguinte. Nelas praticávamos um estilo solidário de vida, buscando reconciliar trabalho e prazer. Procurávamos ter e compartilhar o necessário, evitando a ganância e o luxo.

Acreditávamos que um homem novo só afloraria com uma prática de vida nova; quem quisesse mudar o mundo dentro das estruturas podres, acabaria sendo, isto sim, mudado pelo mundo. Uma verdade que acaba de ser, mais uma vez, demonstrada, com a adoção pelo PT da política econômica neoliberal e das práticas delinqüentes antes criticadas nos inimigos.

Então, em vez de conquistar o governo para tomar o poder e construir uma sociedade mais justa, como tenta em vão fazer a velha esquerda, nós acreditávamos em ir praticando uma vida não-competitiva em comunidades que se entrelaçariam e cresceriam aos poucos, até "engolirem" a sociedade antiga.

Mantenho basicamente esse ideal – tanto que, em meu próximo livro, pretendo exatamente resgatar teses e posturas da chamada Nova Esquerda dos anos 60, provando que, mais do que nunca, apontam o caminho para sairmos deste inferno que o capitalismo globalizado engendrou.

O NÉO-ANARQUISMO – Se, como todo mundo diz, a Sociedade Alternativa proposta pelo Raulzito tinha muito a ver com os livros do bruxo Aleister Crowley (que ele e o Paulo Coelho andaram traduzindo do original), também se inspirava nas barricadas parisienses, nas comunidades hippies e na contracultura, o que poucos apontam.

Ele e eu conversamos muito sobre isso; éramos ambos saudosos dos tempos em que tentávamos nos tornar homens novos na convivência solidária com os irmãos de fé, em nossos "territórios livres".

A referência ao maio/1968 francês é óbvia, por exemplo, na segunda estrofe de "Cachorro Urubu": "E todo jornal que eu leio/ me diz que a gente já era,/ que já não é mais primavera./ Oh, baby, a gente ainda nem começou."

Os conservadores (incluindo a velha esquerda stalinista) sempre tentaram reduzir a obra do Raulzito a uma provocação artística, sem maiores conseqüências políticas e sociais. Mas, ele não era meramente um gênio de comportamento anárquico, como tentam retratá-lo, folclorizando-o para torná-lo inofensivo.

Era, isto sim, um homem sintonizado com o néo-anarquismo que esteve em evidência na Europa e EUA na virada dos anos 60 para os 70. E só não dizia isso de forma mais explícita em suas canções porque o Brasil era um estado policial, submetido a uma censura rígida, embora burra.

Este não era, claro, o único aspecto de sua multifacetada personalidade – talvez nem o principal. Mas é o que mais tem sido omitido pelos que querem fazer dele apenas um monumento do passado, não um guia para a ação no hoje e agora.

LIKE A ROLLING STONE - Eu vivi na estrada e em comunidade, em 1971/72. Foi uma experiência riquíssima.

O que atrapalhava muito era a tensão entre a liberdade que queríamos construir em recinto fechado e o terror e o medo que grassavam "lá fora". Vivíamos acuados, os cidadãos comuns nos olhavam com medo ou rancor por causa de nossas cabeleiras e roupas extravagantes. Enquanto isso, a economia deslanchava e alguns sentiam-se tentados a ir buscar também o seu quinhão do "milagre brasileiro".

Hoje, quem tem olhos para ver já pode aquilatar o que é a sociedade de consumo e a posição de país periférico na economia globalizada: parafraseando Conrad, "o horror, o horror!".

Acostumado aos tempos em que se trabalhava para viver, eu não consigo aceitar que atualmente as pessoas vivam para trabalhar, mobilizadas por objetivos profissionais umas 14 horas por dia (expediente, horas extras que dificilmente são pagas, cursos e mais cursos de atualização profissional, etc.).

E tudo isso para quê? Para poderem comprar um monte de objetos supérfluos e quase nunca encontrarem relacionamentos gratificantes no dia-a-dia, pois as pessoas já não sabem mais interagir – querem apenas usar umas às outras.

Então, fico pensando que, em lugar de levarmos vida de cão dentro do sistema, poderíamos todos estar nos agrupando em casarões da cidade e sítios no campo, criando pequenos negócios para subsistência, plantando, levando uma vida simples mas solidária. Reaprendendo a ter no outro um irmão e não um competidor.

Essas comunidades urbanas e rurais se entrelaçariam, ajudando umas às outras, trocando o que produzissem, prescindindo dos bancos, escapando dos impostos e das formas de controle do Estado. Em suma, praticando criativamente, adaptados aos dias de hoje, os ensinamentos de Thoureau em "A Desobediência Civil".

Seria um ponto de partida. E, conforme os "territórios livres" fossem crescendo, poderiam até virar algo mais sério – uma alternativa para toda a sociedade.

Enfim, o importante mesmo é começar a caminhada, dando um passo depois do outro.

COMO FAZER – Nas comunidades de 1968/72, o que se fazia era reviver a velha democracia grega: reuniões para se decidir os assuntos mais importantes, para nos conhecermos melhor, para sonharmos e brincarmos.

Podia começar num debate acirrado e terminar com todo mundo nu dançando ao som de "Let the sun shine in" (com inocência, pois não éramos dados ao sexo grupal).

Enfim, tentávamos existir plenamente como grupo, esforçando-nos para superar o egoísmo e a possessividade.

Havia problemas, claro. Emprestávamos ao outro o que ele estava precisando mais, numa boa; só que, às vezes, descobríamos na enésima hora que alguém tinha levado sem pedir aquilo que a gente ia usar. Dava discussão e os limites tinham de ser depois definidos na reunião coletiva da nossa "comuna".

Também não era fácil administrar o jogo das paixões. Minha amizade com um ótimo companheiro andou estremecida por uns tempos quando a namorada rompeu com ele e iniciou uma relação comigo. Por mais que quiséssemos nos colocar acima de sentimentos menores como o ciúme, eles existiam e nos machucavam.

O importante, entretanto, era essa vontade que todos tínhamos de superar as limitações de nossa educação pequeno-burguesa e viver de forma generosa e solidária. Quando alguém tinha um problema, era de todos. Quando alguém estava triste, logo um companheiro ia perguntar o motivo. Tudo que podíamos fazer pelo outro, fazíamos.

Onde erramos? Duas vaciladas fatais implodiram nossa comuna. Uma foi deixarmos a droga correr solta – LSD e maconha, principalmente, pois o propósito era abrirmos as portas da percepção, no dizer de Huxley. Isto, entretanto, trouxe à tona facetas da personalidade reprimida que o grupo não conseguia administrar. Acabaram ocorrendo conflitos, separações.

A outra foi recebermos de braços abertos todos os "pirados" que apareciam, vendo um amigo em cada pessoa que parecesse estar “fora do sistema”. Como sempre, apareceram os aproveitadores, os parasitas, os pequenos marginais. E a polícia veio atrás.

Mas, as experiências que vivenciamos foram tão intensas que aquele ano de 1972 valeu por uns cinco. Foi com imenso pesar que vimos aqueles laços se romperem, sendo obrigados a voltar, cada um por si, à luta inglória pela sobrevivência. É uma tortura ser obrigado a correr de novo atrás do ouro de tolo, quando não se tem mais aquela velha opinião formada sobre tudo...

Com algumas correções de rumo e numa conjuntura menos repressiva, as comunidades ainda poderão ser viabilizadas. Há que se tentar outra vez. Mesmo porque, como disse o Raul, "basta ser sincero e desejar profundo/ você será capaz de sacudir o mundo".

14.9.07

MAIS UM TRABALHADOR - APÊNDICE (para entender melhor, leia o texto anterior) Que fique claro que defendo "uma vida a passeio" motivado não por determinações materialistas ou fúteis; pelo contrário. Livres do peso da luta pela sobrevivência, temos mais condições de sermos produtivos no que realmente vale a pena na nossa breve passagem pela vida: aproveitá-la no que ela tem de belo e colaborar para que os outros possam fazer o mesmo. Isso nada tem a ver com a exploração travestida de necessidade nobre chamada trabalho, justificada apenas pela injustificável necessidade de ter que ganhar dinheiro para sobreviver!

12.9.07

MAIS UM TRABALHADOR


Que maravilha não ser violentado pelo despertador! Abro os olhos como os fechei: pensando nela e feliz por ser um dia a menos que nos separa. Acordei disposto para aproveitar o tempo que restava antes do trabalho com as coisas a fazer anotadas no porta-recados da escrivaninha. Não escrevo esses lembretes só por lazer ou obrigação; creio que a memória deve ser visualmente estimulada. E se a manhã for de sol, fico mais disposto ainda.


O café da manhã não tem café, mas é na cama, de frente pra TV. Depois vem o banho, pois se eu tomar de madrugada, quando chego do trabalho, o risco de se resfriar é grande. Antes de sair, fecho o saquinho de lixo cheio e o coloco no latão do corredor, senão ele passa dias e dias em casa. Saio, vou combinar a faxina do apê com a mulher do zelador. Somos quatro no mesmo teto, mas tacitamente eu assumo sempre a tarefa. Não ligo, pelo contrário, pois uma limpeza freqüente é sempre conveniente, pelo menos na minha ótica, já que o tema não é consensual entre nós.


Tão básico como tirar dinheiro é passar no correio ou depositar uma carta social numa das tantas caixas de coleta nas calçadas. A carta social é de pessoa pra pessoa e custa 1 centavo há muitos anos, acredite. Fazer compras sozinho e a pé é um dos mais completos exercícios físicos: você anda na ida, roda lá dentro do supermercado e anda novamente na volta, carregando sacolas que testam a resistência dos braços e mãos.


Não gosto de me demorar muito entre as gôndolas, nem permito que a tentação consumista se manifeste. Na hora de pagar, em lembro saudoso da época de universitário, quando uma compra semanal de cerca de dez itens não ultrapassava 20 reais. Aliás, quem vê meu carrinho deve achar que não sou nada mais do que um estudante de república, um pouco mais saudável e menos alcoólico do que os convencionais.


Deixo as compras na cozinha e esquento o que sobrou do marmitex de ontem. Enquanto como, ligo a TV no jornal ou no esporte e o computador também, pra ver e-mails e notícias. Na volta à cozinha, preparo o lanche que vou levar, além da maçã, da banana, da barra de cereais e da Club Social (isso é que é invenção boa, bolachinha salgada na medida pra você transportar na bolsa!).


Umas dez pras três tô indo pegar o trem, pra poder chegar ao trampo por volta das quatro. Primeiro é o trem “caribenho”: abarrotado, gente humilde, crianças, sacolas, calor e lentidão – tanto pra passar na estação como pra se mover entre uma e outra. E sempre pintam os vendedores de badulaques e os pedintes, geralmente cegos ou desempregados. Quem os persegue são os agentes de segurança, os “urubus”, mas eles entram mais no trem “espanhol”, que por sua vez tem menos “infratores”. Esse outro vai menos cheio, com pessoas de melhores roupas e ar condicionado. Só porque percorre a marginal, onde estão grandes edifícios empresariais. Um absurdo!


Mais contraditório ainda, depois de ver favelas e outras submoradias sub-humanas, é a região onde desço do trem e fica meu trabalho: majoritariamente carros importados, lojas e restaurantes caríssimos e pessoas que vieram ao mundo para dar ordens e passear. Claro que o jornalista dentro de mim fica puto! Mas pô, quem num queria um vidão feito de viagens, curtições e desobrigações? Trabalho enobrece uma ova!, penso eu já perto de chegar ao meu. Ainda bem que eu vivo no mundo dos esportes, donde não saio nem quando tô de folga. Mesmo assim não parei de estudar, um pouco porque é legal mas principalmente porque o dia de amanhã, vai saber né...?


Falando em amanhã, só nos primeiros minutos do dia seguinte eu tô livre do trampo, ou seja, depois da meia-noite. Cansado, claro, mas satisfeito: amanhã dá pra dormir de novo! E amanhã vou voltar a correr, pra pegar ritmo pro dia 31 do 12, que preciso passar correndo! A firma me paga o táxi pra retornar pro apê, dado o adiantado da hora. De dentro dele, vejo o povo nos restaurantes chiquérrimos, dando risada porque não sabem o que é ficar em pé num trem lotado. Fico pensando: “Poxa, eles têm dinheiro, mas a minha vida é muito mais rica, eu sei o que é dar duro!”. Mas que deve ser bom vir ao mundo a passeio, ah, deve!

31.8.07

Da série Causos Bizarros da Franca:

Publicada em 31-08-2007

Pedreiro é flagrado transando com um muro

Renê Moreira / Cosmo On Line

Uma cena no mínimo muito estranha foi presenciada na madrugada desta sexta-feira por uma dona-de-casa de Franca. Ao ouvir um barulho no quintal de sua casa, levantou da cama e foi ver o que acontecia. Teve então uma tremenda surpresa ao se deparar com o vizinho, um pedreiro de 59 anos, transando com o muro.

A cena deixou a mulher perplexa e de imediato ela acionou a polícia. Ela contou que o vizinho, A.G.M, estava com suas partes íntimas de fora penetrando um buraco no muro, sussurrando e acariciando a parede bastante áspera. O mais incrível é que levado ao plantão policial, o acusado confessou tudo e garantiu que estava arrependido.

Já a mulher contou que há tempos vinha desconfiando dos comportamentos estranhos do vizinho, que teria mexido com sua filha de apenas dez anos há poucos dias quando a mesma voltava de uma padaria. Entretanto, ela diz que não esperava nunca ter visto uma cena tão grotesca como a que presenciou no muro que divide sua casa com a do pedreiro, na rua Egídio de Castro Oliveira,
no Jardim Aeroporto.

O escrivão de polícia Rogério Primo contou que o acusado já esteve preso por atentado violento ao pudor. Dessa vez acabou indiciado por importunação ofensiva ao pudor e liberado algumas horas depois e, ao contrário do que se imagina, não apresentava sinais de qualquer tipo de distúrbio mental.

Antes de deixar a delegacia, durante o período em que permaneceu no local, o pedreiro ficou de "castigo" lendo um livro religioso sobre direitos humanos que fica plantão policial. E ao deixar o distrito garantiu ter aprendido muito com a obra. De todo modo será investigado pela polícia, que quer saber se ele não está envolvido em algum outro crime de ordem sexual registrado na região.



(É verdade, está em http://www.cosmo.com.br/brasilemundo/integra.asp?id=206513)

21.8.07


ESCREVA PRA QUEM VOCÊ AMA!


5.8.07

DON PABLITO É VIDA!

"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música;
Quem destrói o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto;
Quem não muda as marcas no supermercado, não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos...

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho;
Quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe...

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples ato de respirar;
Estejamos vivos, então!"

Pablo Neruda

23.7.07

Devo ter uma média de cerca de quatro leitores semanais, sendo que três deles esperam (ou acham) que eu deva postar com bastante freqüencia por aqui e um está dormindo na pia* para este fato...

A esses diletos, peço perdão pela ausência, que se deve à minha presença em http://ultimosegundo.ig.com.br/esportes/pan2007/ até o fim do mês. Quem passear por lá ganha uma balinha minha. Mas não procure meu nome, o troço é pouco pessoal.

Para não ser redundante sobre o Pan, do qual todo mundo fala alguma coisa, algumas conclusões pessoais:

1. Ouro para quem criou as camisas do Brasil do Guaraná Antártica no ano passado, na época da Copa, aquelas alusivas às seleções campeãs (58, 62, 70, 94 e 02)! Porque quem tem uma delas as vê constantemente na torcida brasileira presente no Rio em tempo de Pan, mais até do que as caras camisas oficiais da seleção e as caretas camisetas dos turistas. Tentei adquirir mais, mas só consegui duas no ano passado.

2. Odiamos ver os norte-americanos a cada 5 minutos no alto do pódio e os argentinos que cruzam nosso caminho, mas nosso maior adversário em esportes olímpicos chama-se Cuba. Os cubanos são encardidos, mais frios do que nós, nos provocam e, pra piorar o quadro, nosso país continental fica atrás da pequena ilha deles no quadro de medalhas. Morô?

3. Apesar do excesso de bronze, quartos lugares e últimas colocações, o desempenho geral do Brasil foi além do esperado. Se os esportes marginais que nos deram medalha - badminton, taekwondo, esqui aquático, remo, boliche, etc - fossem minimamente valorizados, teríamos todas as condições para sermos uma potência do calibre dos EUA. Em qualquer Pan.

4. Não contavam com a astúcia do clima. Chuva e ventos adiaram provas no remo, vela, tênis, softbol e beisebol e foram até apagar a coitada da pira, esquecida no Maracanã desde a abertura (embora o COB nunca assuma o fato, imperdoável e coisa típica do País da Piada Pronta). Não há organização que resista às vontades celestes, e olha que o Brasil não fez feio nesse sentido.

5. Sim, fazer um Pan numa cidade que vive com medo não tá certo, bem como gastar milhões a mais do que o necessário. Mas acho que temos mais vantagens do que desvantagens em abrigar uma competição dessas. O Pan traz turistas, grana, mídia pros esportes obscuros e deixa um legado material riquíssimo, pra cidade do Rio (as pessoas que morarão na Vila, por exemplo), e pras modalidades que terão onde treinar e jogar - se Deus e os dirigentes quiserem. Além de tudo, o Pan no Brasil gera empregos e alimenta jornalistas como este que vos escreve. Você ainda quer que eu meta o pau?

6. Andrea realizou meu sonho. Esclareço! Como goleiro semi-pré-amador, sempre me imaginei terminando um campeonato como goleiro invicto e "intacto" (sem ter levado gols) da seleção. E agora a arqueira da seleção feminina ralizou o feito no Pan! Tudo bem que, no sonho, eu recebia os maiores louros pela vitória e, na vida real, Andrea foi ofuscada por Marta, Cristiane, Daniela e cia. Mas sua marca é louvável! Depois do que as nossas futebolistas fizeram, torço para o ministro dos Esportes cumprir sua promessa o mais breve possível, criando uma liga de futebol feminino que não morra mais.

7. Beijar e morder a medalha já cansou. Alguém tem uma idéia melhor?

*dormir na pia = ser indiferente, não estar nem aí, estar cagando e andando, etc... (com a devida licença poética do meu irmão Eduardo 'Pitoresco' Sales)

26.6.07

No que você pensa quando olha pro céu? Sua pequenez diante da imensidão planetária, onde estaria aquela pessoa especial nesse momento, que sonhos as estrelas vão realizar na tua vida... No que pensa uma criança miserável quando olha pro céu?

Entrou a mãe com uma pequena no colo e outra já maiorzinha andando na frente. Eu já havia escutado aquele discurso no trem:

- Quero pedir a atenção de vocês. Tô com duas crianças e não tenho comida pra dar pra elas. O meu barraco tá sem gás. Peço uma ajuda pra poder passar no mercado mais tarde e comprar alguma comida.

Indiferente, a criança solta continuava pulando e fazendo graça para a de colo, que ria repetidamente. Só a mãe permanecia séria, empunhando o boné durante a caminhada pelo vagão.

- Muito obrigado, Deus abençoe.

A estação se aproximava, a mãe parou diante da porta. Com um pedaço de barbante na mão, a filha não deixava de ser criança.

- Mãe, tô brincando de pipa!

- Segura minha mão, cuidado com o buraco!

Desceram. Perdi-as da vista, mas não do pensamento. No cair da noite, o que pensará essa menina quando olhar pro céu? Verá as mesmas estrelas que eu? Algo além da escuridão?

- Mããe, tô com fome!

- Vê se dorme que isso passa...

2.6.07

O QUE É JUSTO?

Meu apê em SP fica perto da Uninove (Barra Funda), onde transitam milhares de universitários. Consequentemente, estruturou-se ao redor do enorme prédio um corredor de vendedores ambulantes de toda a espécie. Passando ali você encontrava o que comer (lanches, salgados, doces, frituras, cozidos e industrializados), beber (sucos, refri, cerveja, açaí, choconhaque e até água), vestir (agasalhos, camisetas, luvas, chapéus), usar (acessórios, bolsas, bijuterias), ouvir (CDs), ver (DVDs), alugar (trajes sociais) e piratear (softwares). Às quintas e sextas de noite, a festa não tinha hora pra acabar.

Mas há 2 semanas eu não vi mais nada disso. Ou melhor, vi fiscais da subprefeitura da Lapa, marcando posição, ao lado de guardas municipais. Estavam limpando o terreno, varrendo quem não paga impostos. Está certo, os ambulantes prejudicam o negócio dos comerciantes que trabalham legalmente. Não é legal.

E o que farão todos aqueles vendedores, até encontrarem outro ponto desprezado pela fiscalização? Como ganharão a vida? Que se virem? Está certo, o que podemos fazer? Mas não é nada legal...

7.5.07



Fatos e fotos são indiscutíveis! Podem começar a parabenizar-me...

27.4.07

Quem disse que nossos camaradas lusos são debilitados mentalmente? Veja que engenhosa a previsão do tempo acima, dispensando satélites, animação gráfica e jornalistas-modelos...

4.4.07

Tá bom, estamos na era do conhecimento e ninguém vive sem informação, leitura e trabalho (a não ser os milionários, ganhadores de loterias e BBBs). Se você estuda e/ou trabalha no que gosta, com certeza encontra prazer nisso. Mas vai dizer que nunca desejou jogar uma segunda-feira pelos ares? Uma dica: quando puder, faça isso! Não sou o único a dizê-lo, veja...


LIBERDADE - Fernando Pessoa

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro pra ler
E não o fazer!

Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original,
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
.
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia de nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

16.3.07

De novo terei de criticar o ser humano, esse animal de roupas de marca e comportamentos abomináveis. Animal sim. Como classificar uma pessoa que vai ao estádio do seu clube de futebol de coração, arranca um vaso sanitário e o atira na direção de outra pessoa? Também sou santista, mas nunca, em sã consciência, acharia um motivo sequer razoável para agredir dessa forma um são-paulino (http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u113604.shtml). Depredação de patrimônio e violência desproporcional contra um semelhante. Não venham me dizer que futebol é assim mesmo e isso é coisa de meia dúzia de vândalos. Se uma pessoa age assim, todos nós temos de nos indignar e buscar meios de acabar com esse absurdo!

1.3.07

CAMPANHA DE INCENTIVO AO AMOR (C.I.A.O.*) - I

Ninguém mais vai me perguntar como foi meu carnaval, mas eu ainda quero dizer! Foi excelente!! Porque não importa se você fica em casa ou acaba viajando. Não importa se vai à praia ou ao campo. Se faz o sol ou fecha o tempo.

Não importa se é desfile, marchinha ou baile. Ou se é qualquer coisa menos isso. Não importa se é axé, rock ou eletrônica. Nem se a vizinhança escuta funkão ou sertanejão.

Estando com quem você realmente ama, o resto é secundário. Isso é o que realmente importa! E EU AMO A ARIKA!!!

(Se você ainda não encontrou alguém que realmente ame, lembre-se de que só tem uma vida para procurar...)

* obs: "Ciao", em italiano, quer dizer tanto "oi" quanto "tchau"!

8.2.07

Eu quero um mundo sem chaves! (Eu não disse "Chaves" heim... rs)

Sim, não há nada que me irrite tão freqüentemente do que ser dependente de várias chaves em um só dia. Cada porta tem de ter a sua. E você tem de ficar carregando pra lá e pra cá, além de sempre lembrar onde elas estão. Aí só pode usar uma das mãos quando vai sair ou entrar, porque a outra precisa da chave (quem vive carregando coisas pra cima e pra baixo, como eu, sabe o apuro que isso traz...). São elas que decidem onde vamos, ou melhor, se vamos mesmo. Quem nunca esqueceu ou perdeu uma chave?

Sonho com o dia em que não precisemos de chaves. Que cada um não precise se preocupar em trancar o que é seu, porque o outro não vai tentar abrir. Será que existe esse nível de respeito mútuo? Não sei, mas enquanto houver motivos para furtos nesse mundo, minha idéia nunca vingará.

Ok, ok... Então eu quero um mundo sem furtos!

26.1.07


Se uma imagem vale por mil palavras, uma imagem com um texto deve valer por um milhão...rsrs

Mas o protesto, além de original, faz muito sentido.

Se encarássemos os animais como nossos irmãos e as plantas como parte de nossa casa, ganharíamos muito mais em felicidade e qualidade de vida, coisas tão simples como os seres vivos despidos de ódio e indiferença... Né não?

20.1.07

TURISTA IRRITADO NO VERÃO DA BAHIA*

Primeiro dia na praia. Turista branquelo de pavio curto, mas animado pelo início das férias de verão, recém-chegado à terra da alegria. Enfim, a praia!
- Nossa, que ventania (segura o boné na cabeça, com a mão). Onde é que eu vou ficar, tá chapado de gente! (o boné sai voando pela areia). Merda!
- Bom dia, patrão. Posso pegar uma mesa?
- Ah sim, por favor (o garçom se afasta). Patrão... Você acha que eu ia contratar alguém com um cabelo desses??
Mesa de frente para o mar.
- Tá bom aqui, patrão?
- Sim sim, ótimo.
- Uma cervejinha pra começar? Aperitivo, casquinha de siri, um peixinho?
- Só uma cervejinha, tá?
- Perfeito patrão!
...
- Finalmente sossego... Eu e o mar!
- Queijo assado, vamo aê? Água, refri e skol! Olha o coco! Milho verde! Sorvete geladinho! Espetinho de camarão! Peixe frito! Sanduíche natural! Salada de fruta! Salgadinho! Amendoim torrado, castanha do pará! Caranguejo! Tapioca, cocada e cuscuz! É a empada divina! Empadinha maravilhosa, vai uma senhor??
- Não, não... Obrigado (repetidos 19 vezes). Haja saco...
...
Sol a pino. Mormaço abafando. Difícil procurar uma sombra. Difícil manter o sorriso.
- Tatuagem de henna! Vamo fazê uma no braço?
- Não, não... Obrigado.
- Dá pra fazer nas costas, na perna. Tem tribal, dragão, várias figuras, é só escolher.
- Hoje não.
- Por que não, homi??
- Não tenho mais idade para isso. Nem pele, olha a minha cor!
- Com uma dessas você vai ficar negão em 2 dias!
- Obrigado, fica pruma próxima (o cara desiste). Ficar negão... Esse aí enlouqueceu...
...
Mais vento. O guarda-sol titubeia. Mas não há para onde ir. Música baiana bem alta. Mas ele esqueceu seu iPod com 512 exemplos de rock.
- Bosta, viu... Só falta essa p... voar!
Dito e feito (Murphy always wins). Pelo menos os ambulantes deram uma trégua. Deram?
- Chapéu de praia! Canga e saída! Rede! Tererê no cabelo! Colares, pulseiras e brincos indígenas! Camiseta, 1 por 5, 3 por 10! Óculos de sol! Show do Harmonia do Samba! Passeio de escuna! Banana Boat! CD e DVD: O melhor da Bahia!
- Não, não... (11 vezes)
...
Aproxima-se um desafortunado com um ramo artesanal de alhos.
- Vai aí, chefia?
- Não, não.
- Esse é do bom, 5 anos de garantia!
- Não quero, obrigado.
- Com um desses a sogra vai embora em 24 horas. Com 3 atrás da porta, vai em 12 horas!
- Obrigado, sou solteiro, não preciso!
- Tá certo, boa tarde.
...
- Será que minha cara não deixa claro que não quero nenhuma dessas porcarias? Não é possível...
...
- Ostra com limão, uma delícia, vamo prová?
- Não, não...
- A primeira é grátis, tá na mão! (oferecendo)
- Obrigado mesmo... (recusando)
- Sem compromisso. Se não der negócio, dá amizade.
- ...
- Fica 2 por 3 reais, beleza?
Vira o rosto para esconder a fúria. Adianta. O cara vaza em silêncio.
...
- É o sândalo! Muda de orquídea! Avião de isopor! Bicicletinha de arame! Chimbiquinha (calhambeque) de lata! Peixe de madeira (que mexe o rabo)! Artesanato indígena! Porta-aperitivos, cocares e mais penas! Foto na revista! Foto indígena!
- Não! (vezes 10). Deus, o que me falta aparecer??
Várias casinhas de passarinho, feitas de tronco, surgem em sua frente.
- Olha o trabalho do baiano, o único da Bahia!
- Minha filha, moro em apartamento e odeio aves. Muito obrigado e passar bem!
...
No segundo dia na praia, preferiu matar pernilongos no quarto do hotel...

*O autor nada tem contra os ambulantes baianos. Embora fictício, o turista é extremamente verossímil, dada a veracidade dos diálogos e personagens supracitados.

7.1.07

Ainda sobre morte: por mais que a indesejável das gentes nos injete a dor da separação, aceitar o inevitável me parece o mais sensato. Aceitar com sorrisos, por absurdo que pareça, dadas as incontroláveis lágrimas teimando em cair. Porque creio que a pessoa falecida vai para um plano superior, ao lado de espíritos saudosos que a recebem, mais perto de Deus. Um lugar melhor. Se essa convicção elimina nossa revolta diante da morte, considerando que desejamos o melhor para a pessoa, por que não assumi-la? Aí o problema se limita ao nosso egoísmo de achar que a pessoa deve ficar pra sempre conosco. Ou que devemos subir aos céus antes - o que é mais egoísta ainda. Será que sou realista demais, confundindo egoísmo com amor? Acho que não. O amor é desprendido, jamais possessivo. Se o amante quer a verdadeira felicidade do amado, que compreenda que ela não cessa com a vida, estando bem além dela.

3.1.07

É normal fazermos ou pensarmos em várias promessas e metas quando o ano começa. Mensagens da internet volta e meia nos lembram da importância de demonstrar carinho pelos entes queridos. Dizer que os amamos. Porque mais pra frente pode ser tarde. Uma hora eles se vão. Todos se vão, uma hora. Minha avó materna se foi no início do segundo dia do ano. Parada cardíaca fulminante, aos 83 anos. Não me arrependo por não lhe ter demonstrado afeto. Mas como ela era uma pessoa difícil de lidar, algumas pessoas no seu velório podem ter sentido, em algum momento, culpa, remorso, arrependimento. Não deve ser fácil. Melhor não deixar acontecer. E estar sempre de bem com a consciência e os outros. Nem todas as mensagens da internet devem ser imediatamente apagadas.