Eu quero um mundo sem chaves! (Eu não disse "Chaves" heim... rs)
Sim, não há nada que me irrite tão freqüentemente do que ser dependente de várias chaves em um só dia. Cada porta tem de ter a sua. E você tem de ficar carregando pra lá e pra cá, além de sempre lembrar onde elas estão. Aí só pode usar uma das mãos quando vai sair ou entrar, porque a outra precisa da chave (quem vive carregando coisas pra cima e pra baixo, como eu, sabe o apuro que isso traz...). São elas que decidem onde vamos, ou melhor, se vamos mesmo. Quem nunca esqueceu ou perdeu uma chave?
Sonho com o dia em que não precisemos de chaves. Que cada um não precise se preocupar em trancar o que é seu, porque o outro não vai tentar abrir. Será que existe esse nível de respeito mútuo? Não sei, mas enquanto houver motivos para furtos nesse mundo, minha idéia nunca vingará.
Ok, ok... Então eu quero um mundo sem furtos!
8.2.07
26.1.07

Se uma imagem vale por mil palavras, uma imagem com um texto deve valer por um milhão...rsrs
Mas o protesto, além de original, faz muito sentido.
Se encarássemos os animais como nossos irmãos e as plantas como parte de nossa casa, ganharíamos muito mais em felicidade e qualidade de vida, coisas tão simples como os seres vivos despidos de ódio e indiferença... Né não?
20.1.07
TURISTA IRRITADO NO VERÃO DA BAHIA*
Primeiro dia na praia. Turista branquelo de pavio curto, mas animado pelo início das férias de verão, recém-chegado à terra da alegria. Enfim, a praia!
- Nossa, que ventania (segura o boné na cabeça, com a mão). Onde é que eu vou ficar, tá chapado de gente! (o boné sai voando pela areia). Merda!
- Bom dia, patrão. Posso pegar uma mesa?
- Ah sim, por favor (o garçom se afasta). Patrão... Você acha que eu ia contratar alguém com um cabelo desses??
Mesa de frente para o mar.
- Tá bom aqui, patrão?
- Sim sim, ótimo.
- Uma cervejinha pra começar? Aperitivo, casquinha de siri, um peixinho?
- Só uma cervejinha, tá?
- Perfeito patrão!
...
- Finalmente sossego... Eu e o mar!
- Queijo assado, vamo aê? Água, refri e skol! Olha o coco! Milho verde! Sorvete geladinho! Espetinho de camarão! Peixe frito! Sanduíche natural! Salada de fruta! Salgadinho! Amendoim torrado, castanha do pará! Caranguejo! Tapioca, cocada e cuscuz! É a empada divina! Empadinha maravilhosa, vai uma senhor??
- Não, não... Obrigado (repetidos 19 vezes). Haja saco...
...
Sol a pino. Mormaço abafando. Difícil procurar uma sombra. Difícil manter o sorriso.
- Tatuagem de henna! Vamo fazê uma no braço?
- Não, não... Obrigado.
- Dá pra fazer nas costas, na perna. Tem tribal, dragão, várias figuras, é só escolher.
- Hoje não.
- Por que não, homi??
- Não tenho mais idade para isso. Nem pele, olha a minha cor!
- Com uma dessas você vai ficar negão em 2 dias!
- Obrigado, fica pruma próxima (o cara desiste). Ficar negão... Esse aí enlouqueceu...
...
Mais vento. O guarda-sol titubeia. Mas não há para onde ir. Música baiana bem alta. Mas ele esqueceu seu iPod com 512 exemplos de rock.
- Bosta, viu... Só falta essa p... voar!
Dito e feito (Murphy always wins). Pelo menos os ambulantes deram uma trégua. Deram?
- Chapéu de praia! Canga e saída! Rede! Tererê no cabelo! Colares, pulseiras e brincos indígenas! Camiseta, 1 por 5, 3 por 10! Óculos de sol! Show do Harmonia do Samba! Passeio de escuna! Banana Boat! CD e DVD: O melhor da Bahia!
- Não, não... (11 vezes)
...
Aproxima-se um desafortunado com um ramo artesanal de alhos.
- Vai aí, chefia?
- Não, não.
- Esse é do bom, 5 anos de garantia!
- Não quero, obrigado.
- Com um desses a sogra vai embora em 24 horas. Com 3 atrás da porta, vai em 12 horas!
- Obrigado, sou solteiro, não preciso!
- Tá certo, boa tarde.
...
- Será que minha cara não deixa claro que não quero nenhuma dessas porcarias? Não é possível...
Primeiro dia na praia. Turista branquelo de pavio curto, mas animado pelo início das férias de verão, recém-chegado à terra da alegria. Enfim, a praia!
- Nossa, que ventania (segura o boné na cabeça, com a mão). Onde é que eu vou ficar, tá chapado de gente! (o boné sai voando pela areia). Merda!
- Bom dia, patrão. Posso pegar uma mesa?
- Ah sim, por favor (o garçom se afasta). Patrão... Você acha que eu ia contratar alguém com um cabelo desses??
Mesa de frente para o mar.
- Tá bom aqui, patrão?
- Sim sim, ótimo.
- Uma cervejinha pra começar? Aperitivo, casquinha de siri, um peixinho?
- Só uma cervejinha, tá?
- Perfeito patrão!
...
- Finalmente sossego... Eu e o mar!
- Queijo assado, vamo aê? Água, refri e skol! Olha o coco! Milho verde! Sorvete geladinho! Espetinho de camarão! Peixe frito! Sanduíche natural! Salada de fruta! Salgadinho! Amendoim torrado, castanha do pará! Caranguejo! Tapioca, cocada e cuscuz! É a empada divina! Empadinha maravilhosa, vai uma senhor??
- Não, não... Obrigado (repetidos 19 vezes). Haja saco...
...
Sol a pino. Mormaço abafando. Difícil procurar uma sombra. Difícil manter o sorriso.
- Tatuagem de henna! Vamo fazê uma no braço?
- Não, não... Obrigado.
- Dá pra fazer nas costas, na perna. Tem tribal, dragão, várias figuras, é só escolher.
- Hoje não.
- Por que não, homi??
- Não tenho mais idade para isso. Nem pele, olha a minha cor!
- Com uma dessas você vai ficar negão em 2 dias!
- Obrigado, fica pruma próxima (o cara desiste). Ficar negão... Esse aí enlouqueceu...
...
Mais vento. O guarda-sol titubeia. Mas não há para onde ir. Música baiana bem alta. Mas ele esqueceu seu iPod com 512 exemplos de rock.
- Bosta, viu... Só falta essa p... voar!
Dito e feito (Murphy always wins). Pelo menos os ambulantes deram uma trégua. Deram?
- Chapéu de praia! Canga e saída! Rede! Tererê no cabelo! Colares, pulseiras e brincos indígenas! Camiseta, 1 por 5, 3 por 10! Óculos de sol! Show do Harmonia do Samba! Passeio de escuna! Banana Boat! CD e DVD: O melhor da Bahia!
- Não, não... (11 vezes)
...
Aproxima-se um desafortunado com um ramo artesanal de alhos.
- Vai aí, chefia?
- Não, não.
- Esse é do bom, 5 anos de garantia!
- Não quero, obrigado.
- Com um desses a sogra vai embora em 24 horas. Com 3 atrás da porta, vai em 12 horas!
- Obrigado, sou solteiro, não preciso!
- Tá certo, boa tarde.
...
- Será que minha cara não deixa claro que não quero nenhuma dessas porcarias? Não é possível...
...
- Ostra com limão, uma delícia, vamo prová?
- Não, não...
- A primeira é grátis, tá na mão! (oferecendo)
- Obrigado mesmo... (recusando)
- Sem compromisso. Se não der negócio, dá amizade.
- ...
- Fica 2 por 3 reais, beleza?
Vira o rosto para esconder a fúria. Adianta. O cara vaza em silêncio.
...
- É o sândalo! Muda de orquídea! Avião de isopor! Bicicletinha de arame! Chimbiquinha (calhambeque) de lata! Peixe de madeira (que mexe o rabo)! Artesanato indígena! Porta-aperitivos, cocares e mais penas! Foto na revista! Foto indígena!
- Não! (vezes 10). Deus, o que me falta aparecer??
Várias casinhas de passarinho, feitas de tronco, surgem em sua frente.
- Olha o trabalho do baiano, o único da Bahia!
- Minha filha, moro em apartamento e odeio aves. Muito obrigado e passar bem!
...
No segundo dia na praia, preferiu matar pernilongos no quarto do hotel...
*O autor nada tem contra os ambulantes baianos. Embora fictício, o turista é extremamente verossímil, dada a veracidade dos diálogos e personagens supracitados.
- Ostra com limão, uma delícia, vamo prová?
- Não, não...
- A primeira é grátis, tá na mão! (oferecendo)
- Obrigado mesmo... (recusando)
- Sem compromisso. Se não der negócio, dá amizade.
- ...
- Fica 2 por 3 reais, beleza?
Vira o rosto para esconder a fúria. Adianta. O cara vaza em silêncio.
...
- É o sândalo! Muda de orquídea! Avião de isopor! Bicicletinha de arame! Chimbiquinha (calhambeque) de lata! Peixe de madeira (que mexe o rabo)! Artesanato indígena! Porta-aperitivos, cocares e mais penas! Foto na revista! Foto indígena!
- Não! (vezes 10). Deus, o que me falta aparecer??
Várias casinhas de passarinho, feitas de tronco, surgem em sua frente.
- Olha o trabalho do baiano, o único da Bahia!
- Minha filha, moro em apartamento e odeio aves. Muito obrigado e passar bem!
...
No segundo dia na praia, preferiu matar pernilongos no quarto do hotel...
*O autor nada tem contra os ambulantes baianos. Embora fictício, o turista é extremamente verossímil, dada a veracidade dos diálogos e personagens supracitados.
7.1.07
Ainda sobre morte: por mais que a indesejável das gentes nos injete a dor da separação, aceitar o inevitável me parece o mais sensato. Aceitar com sorrisos, por absurdo que pareça, dadas as incontroláveis lágrimas teimando em cair. Porque creio que a pessoa falecida vai para um plano superior, ao lado de espíritos saudosos que a recebem, mais perto de Deus. Um lugar melhor. Se essa convicção elimina nossa revolta diante da morte, considerando que desejamos o melhor para a pessoa, por que não assumi-la? Aí o problema se limita ao nosso egoísmo de achar que a pessoa deve ficar pra sempre conosco. Ou que devemos subir aos céus antes - o que é mais egoísta ainda. Será que sou realista demais, confundindo egoísmo com amor? Acho que não. O amor é desprendido, jamais possessivo. Se o amante quer a verdadeira felicidade do amado, que compreenda que ela não cessa com a vida, estando bem além dela.
3.1.07
É normal fazermos ou pensarmos em várias promessas e metas quando o ano começa. Mensagens da internet volta e meia nos lembram da importância de demonstrar carinho pelos entes queridos. Dizer que os amamos. Porque mais pra frente pode ser tarde. Uma hora eles se vão. Todos se vão, uma hora. Minha avó materna se foi no início do segundo dia do ano. Parada cardíaca fulminante, aos 83 anos. Não me arrependo por não lhe ter demonstrado afeto. Mas como ela era uma pessoa difícil de lidar, algumas pessoas no seu velório podem ter sentido, em algum momento, culpa, remorso, arrependimento. Não deve ser fácil. Melhor não deixar acontecer. E estar sempre de bem com a consciência e os outros. Nem todas as mensagens da internet devem ser imediatamente apagadas.
27.12.06
Certas coisas na vida não temos como evitar. Pra vc deixar um amigo contente com seu comentário no blog dele, precisa criar o seu. Então vamos buscar coisas interessantes a dizer. Desafio bom, esse. 27/12 tem cara de retrospectiva né? Balanço do ano. Mas tem que ser resumido, porque aqui é internet. 2006 foi supimpa. Um namoro se foi, mas outro pra lá de porreta apareceu. Um trabalho se foi, mas outro mais adequado surgiu. O mestrado se foi, mas a especialização abriu horizontes. Poucos amigos se afastaram, muitos entraram no clube. Sobrou tempo pro básico: família, religião, esportes, músicas, leituras, textos, cartas (ah, as cartas...) e coletânea de fim de ano. Conclusão: Vc tem que olhar para o que entra na sua vida, não para o que sai. Alguém teve um ano melhor?
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